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Dudalina vai vender camisas na América Central

Empresa multiplicou o faturamento por quatro desde 2009 e agora testa expansão no exterior com franquia no Panamá

Nayara Fraga, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2013 | 02h06

Depois de transformar sua marca com a criação da linha de camisas femininas, em 2010, a catarinense Dudalina está agora também se voltando para o exterior. A empresa abriu na última quinta-feira sua primeira franquia fora do País, na Cidade do Panamá, uma das regiões de maior concentração de turistas estrangeiros no mundo - conhecida como "Dubai Latina".

Localizada em um shopping do centro da capital panamenha, a loja é o segundo passo da empresa em terras estrangeiras. A companhia já havia inaugurado uma shop-in-shop (loja dentro de uma loja maior) e um showroom em Milão, em 2012, em espaço dividido com a AD56, de gravatas - cujo dono, Gianni Asnaghi, já era um dos fornecedores da brasileira.

O empresário, aliás, é figura central na expansão da Dudalina. A loja no Panamá foi viabilizada a partir de um contato dele. Asnaghi está fazendo ainda o "meio de campo" para conversas da Dudalina para unidades em países como Alemanha, Áustria, Itália, Reino Unido, Rússia e Austrália.

O italiano representa uma pequena parte da rede influente de parceiros da qual a Dudalina vem se cercando. A marca não aceita, por exemplo, franqueado que quer simplesmente "abrir loja para a esposa", diz a presidente da empresa, Sônia Hess de Souza. "Tem de comungar com os nossos valores."

Para o consumidor final, a influência da marca chega pela televisão. A flor de lis, ícone da Dudalina, veste repórteres e apresentadores de diversos telejornais. Individual e Base, as outras marcas do grupo, aparecem nas novelas da Globo.

Trata-se de uma estratégia comercial agressiva que tem feito a Dudalina crescer. A empresa vai encerrar 2013 com 93 lojas (59 próprias e 34 franquias), 3,5 mil pontos de venda multimarcas pelo País e faturamento de R$ 515 milhões, valor quatro vezes superior ao de 2009. A meta é alcançar R$ 1 bilhão em 2016.

A companhia virou um caso de sucesso pelo fato de ter crescido vendendo um só produto e de, num segundo momento, apostar no segmento feminino. "Quando a gente entrou nesse mercado, foi um boom porque não há no mundo empresa especializada em camisas femininas pensadas anatomicamente para a mulher", conta Sônia.

A decisão de atender um nicho desamparado deu resultado. Em apenas três anos, a linha feminina responde por 35% do faturamento da empresa. Além de trazer receita, ela colaborou para ampliar o leque de possibilidades da linha masculina. As cores alegres passaram a ser valorizadas pelos homens, diz Sônia.

Isso contribui para dar à Dudalina o status de grife. A média de preço para uma camisa feminina é de R$ 299, mas pode chegar a R$ 699 para modelos em seda. A versão masculina custa, em geral, R$ 319; a mais sofisticada sai por R$ 749.

Um dos desafios da companhia é ir além das camisas, pois a "aura" em torno de um único produto pode desaparecer. Encontrar oportunidades secundárias, diz o consultor em moda Edson D'Aguano, foi o caminho de marcas como Carmen Steffens, que passou a vender roupas, e Armani, que hoje tem móveis e objetos para casa.

A Dudalina, ao que Sônia indica, está preparada para este passo. A empresa já desenvolve peças como saias, calças, regatas e tricôs. "Veja: hoje eu não estou de camisa", diz Sônia. Durante a entrevista, a empresária vestia blusa de mangas rendadas, com a flor de lis em cristais Swarovski. Além disso, serviu água num copo com a marca. Um projeto para a Dudalina Casa? "É um segmento que um dia pode ter certeza que vou entrar."

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