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Duhalde começa a negociar alta de salários no setor privado

Na tentativa de frear o descontentamento social, o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, garantiu hoje que os trabalhadores "têm razão" ao pedir aumento de salários, depois de uma desvalorização de 270% e uma inflação de 30% nos primeiros cinco meses do ano. O governo já trabalha com a idéia de negociar com os empresários o aumento dos salários no setor privado que, segundo um documento do Ministério do Trabalho, seria de 100 pesos (US$ 26) e não causaria inflação adicional superior a 3 pontos porcentuais. O diretor do Instituto de Estatística e Censos (Indec), Juan Carlos del Bello, reconheceu hoje que a renda de mais da metade dos argentinos os coloca abaixo da linha de pobreza. "Com um total de 237 pesos como base da indigência, e de 599 para a pobreza, calculou-se que 48% da população são pobres", afirmou Del Bello, para quem, "caso se levasse em conta as pessoas que ficaram sem emprego, seria possível assegurar que mais da metade dos argentinos é pobre". Duhalde indicou que a questão salarial será apresentada aos sindicatos e aos empresários, e com eles se verá "a que setores poderá chegar" o reajuste, ou "se será geral". Segundo os números do governo, o aumento de 100 pesos sobre o salário mínimo de 200 pesos atual não causaria uma disparada inflacionária. Mas permanece a preocupação com a atitude que os empresários venham a tomar, que poderiam, a partir do reajuste salarial, desencadear de modo especulativo a remarcação de preços. Duhalde deverá negociar este ponto e o aumento dos salários em si com os empresários nos próximos dias. O ponto principal que preocupa o empresariado é não precisar pagar encargos sociais calculados sobre os 100 pesos adicionais. Mas o governo já preparou o contra-ataque: um relatório do Ministério do Trabalho assinala que, se o reajuste salarial for de 100 pesos, o aumento dos custos de produção seria inferior a 0,3 ponto porcentual. A alta representaria um total de US$ 225 milhões de pesos para o empresariado, mas também significaria para o Tesouro Nacional uma receita de 42 milhões de pesos, por causa do imposto de consumo, o IVA (Imposto sobre o Valor Agregado), cuja alíquota é de 21%. O aumento não causaria uma explosão de demanda numa população golpeada por 30% de inflação até esta altura do ano, e a inflação não dispararia, ficando em 3 pontos porcentuais acima da atual. Fontes do governo já esclareceram que aumentar os salários do setor público, com as atuais limitações fiscais, é quase impossível. Eis por que Duhalde aposta que o setor privado vai colaborar e melhorar a situação de 3 milhões de chefes de família cujas rendas mínimas perderam poder aquisitivo com a desvalorização e ficaram abaixo da linha de indigência.

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