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Duhalde começa outra briga com FMI

O governo do presidente Eduardo Duhalde começou a caminhar rapidamente na direção de uma nova frente de batalha com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estaria pretendendo fazer novas exigências à Argentina. Simultaneamente, o organismo financeiro está adiando o envio de uma missão negociadora a Buenos Aires.Nesta quarta-feira, confirmou-se que o ministro da Economia, Roberto Lavagna, reclamou por telefone com a vice-diretora do FMI, Anne Krueger, que o chefe da missão do organismo financeiro para a Argentina, o economista indiano Anoop Singh, havia colocado ?em risco? as negociações com o Fundo.O ?risco? teria sido causado pela afirmação de que os bancos estrangeiros instalados no país não concordariam com o plano do ministro Lavagna para terminar com o ?corralito?.Fontes do Ministério da Economia sustentam que Singh teria dito aos integrantes do FMI que os bancos estrangeiros preferiam uma versão compulsória do plano e não voluntária, como foi estabelecida na versão de Lavagna.Oficialmente, a Associação de Bancos da Argentina (ABA), que reúne os bancos estrangeiros, não expressou seu repúdio ao plano do ministro. Mas, extra-oficialmente, os diretores dos bancos admitem que esse plano não funcionará. Enquanto isso, o governo ainda espera que, até o fim de junho, o acordo financeiro com o FMI seja assinado.No entanto, os alardes do governo Duhalde de que o acordo com o Fundo é ?iminente? estão ocorrendo desde fevereiro. Naquele mês, afirmava-se que o acordo estaria pronto em março. E de lá para cá foi continuamente adiado. Mas, o governo afirma que desta vez é diferente.Segundo o secretário-geral da presidência da República, Aníbal Fernández, a Argentina ?já cumpriu tudo? o que o FMI havia exigido nos últimos meses: ?Se nós já fizemos o que havia sido prometido, agora pedimos que cumpram o que nos prometeram e que a missão do FMI venha ao país?.Nesta quarta-feira, o porta-voz do FMI para a América Latina, Francisco Baker, declarou que o organismo financeiro poderia anunciar na semana que vem quando seria enviada uma missão a Buenos Aires. No entanto, ao contrário do que espera o governo Duhalde, esta missão seria técnica e não negociadora. O objetivo desta missão, segundo Baker, ?será o de colocar as bases de uma missão negociadora?.Nesta terça-feira, o diretor do FMI, Horst Köhler, disse que já existiam condições para enviar uma missão. No entanto, também deixou claro que o Fundo continuará mantendo o rigor com a Argentina e que é preciso ?um marco verossímil, que deve ser checado e verificado?.Em Buenos Aires, isso foi interpretado como uma eventual chegada de novas exigências por parte do Fundo. Semanas atrás, o próprio presidente Duhalde, prevendo o que poderia ocorrer, afirmou que, toda vez que a Argentina ?se aproxima da faixa de chegada, o FMI puxa a faixa um pouco mais para longe?.Até o momento, a Argentina cumpriu várias exigências, que incluíram a eliminação da lei de subversão econômica, a reforma da lei de falência das empresas, o ajuste fiscal das províncias, a detenção da emissão de bônus provinciais, a desvalorização da moeda, entre outras.Mas agora, o FMI pretenderia verificar nos próximos 30 dias o comportamento dos correntistas diante do Plano Lavagna. Além disso, o Fundo quer verificar o cumprimento dos acordos fiscais por parte das províncias, que até agora não saíram do papel.O organismo financeiro também pretenderia esperar que as províncias detenham a emissão de bônus, como foi estipulado. Além disso, o governo ainda não explicou o que será feito com os bônus que já estão em circulação. O Fundo também estaria esperando que o governo defina medidas para conter a escalada da inflação.Outro ponto pendente que poderia ser explorado pelo Fundo é a renegociação das tarifas das empresas de serviços públicos privatizados. O governo aprovou a eliminação da lei de subversão econômica, que era abominada pelo Fundo. Mas, simultaneamente com sua eliminação, transferiu artigos dessa lei para o Código Penal, irritando desta forma o FMI.José Manuel de la Sota, governador da segunda província do país, a de Córdoba, afirmou, irritado, que o FMI ?não pode fazer exigências adicionais para a Argentina?. Segundo De la Sota, que por causa das exigências do Fundo terá que implementar um drástico ajuste fiscal que poderia causar novos conflitos sociais em sua província, ?a situação não agüenta novas exigências. Não dá mais?.De la Sota foi um dos primeiros governadores que assinaram os acordos individuais de ajuste de 60% nos déficits fiscais provinciais. Nesta quarta-feira, esperava-se no governo que outras oito províncias pequenas assinassem os acordos ainda nesta semana. O FMI considera que as províncias são responsáveis por grande parte da crise argentina.Além do ajuste fiscal, o FMI exige que as províncias eliminem até meados do ano a emissão de bônus que utilizam como ?moedas paralelas? para o pagamento de funcionários públicos e fornecedores do Estado. Neste mês, o governo Duhalde terá que pagar uma dívida de US$ 76 milhões com o FMI.Além disso, ainda em junho o governo teria que desembolsar US$ 22 milhões para uma dívida com o Banco Mundial. Mas o pior é o que deve ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ao qual terá que entregar US$ 717 milhões, além de outros US$ 153 milhões de juros.Calcula-se que sem uma definição do acordo com o FMI, todos estes vencimentos sejam realizados recorrendo às reservas do Banco Central. Segundo o economista Claudio Lozano, ?é evidente que o FMI pretende dilatar? o tempo de negociação com a Argentina. ?Quando começamos o diálogo com o Fundo, as reservas argentinas eram de US$ 14 bilhões, e hoje são de apenas US$ 10 bilhões?.Leia o especial

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