Duhalde critica decisão da Suprema Corte

O presidente argentino, Eduardo Duhalde, fez na noite desta sexta-feira um pronunciamento de cerca de dez minutos na residência presidencial de Olivos. Durante sua fala, Duhalde qualificou como muito grave a decisão da Corte Suprema de Justiça de suspender o ?corralito? e destacou que a liberação desordenada dos depósitos presos provocará quebra de bancos, com o prejuízo para milhões de argentinos. Em um extenso preâmbulo, Duhalde deixou claro sua opinião de que a decisão da Justiça foi casuística e suspendeu todos os anúncios que o governo pretendia fazer entre ontem e hoje, tais como o pacote econômico e a reforma política. O presidente disse que o "corralito" é uma herança deixada pelo antigo ministro Domingo Cavallo e pelo ex-presidente Fernando De La Rúa e ainda reforçou que o país tornou-se mais exposto aos riscos de uma convulsão anárquica. ?Esta decisão da Corte é muito grave. Creio que algumas pessoas até podem estar contentes, podem ter ilusões?, afirmou Duhalde. ?Eu temo que, desgraçadamente, possa acontecer o que se passou em outros países. Quando os bancos não puderem pagar, eles serão liquidados pelo Banco Central. E, geralmente, quando um banco é liquidado, quem recebe são os advogados e os poucos clientes que têm a sorte de chegar primeiro. Milhões de argentinos ficariam completamente perdidos?, completou. Duhalde entrou na sala de imprensa da Quinta de Olivos acompanhado pelo ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov. Os dois estavam 40 minutos atrasados em relação ao horário previsto. O presidente esboçou um leve sorriso aos fotógrafos, mas logo o desfez, ao começar seu pronunciamento. Falou baixo, de improviso, e em tom pausado, mas não se dispôs a responder a perguntas dos jornalistas. Enquanto discursava, pelo menos quatro ?panelaços? contra o "corralito" ocorriam em bairros de classe média da capital do país - inclusive na entrada principal da Quinta de Olivos. Da mesma forma como foi enfático ao destinar à Corte Suprema de Justiça a responsabilidade por bloquear a saída do país da crise, Duhalde ressaltou que não vai entregar o governo, a não ser a seu sucessor, no final de 2003. Mas frisou que tampouco vai tolerar que o país caia em anarquia. ?Corremos riscos. A Argentina está à beira da anarquia. Os povos toleram muitas coisas, menos a anarquia?, afirmou o presidente. ?Desde o primeiro dia me comprometi a manter a paz social na Argentina. Que ninguém se engane. Não sou um presidente débil?. Logo ao final de sua exposição, seu chefe de gabinete, Jorge Capitanich, informou que a Presidência está trabalhando junto à equipe econômica do governo na revisão das medidas que seriam anunciadas hoje. A divulgação, segundo informou, ocorrerá oportunamente. Depois de conhecida a decisão judicial, o presidente do Banco Central, Mário Blejer, foi chamado às pressas de Washington. Deverá chegar a Buenos Aires hoje.

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