Duhalde denuncia campanha especulativa

Menos de 48 horas antes do início da livre flutuação do peso em relação ao dólar, o presidente Eduardo Duhalde, denunciou hoje a existência de uma campanha "não muito patriótica" que pretende "aumentar a cotação da moeda americana e gerar um clima de insegurança e incertezas".Duhalde afirmou que os organizadores desta campanha seriam "os setores especulativos que estão esperando fazer um grande negócio com a alta do dólar". O presidente disse que são absurdas as versões que indicam que o dólar poderia chegar a uma cotação de 10 pesos. Afirmou ainda que a população precisava ter cuidado com os especuladores que "tentam caçar alguns otários"neste "momento de confusão". No entanto, disse que daqui a poucos dias "serão dissipadas" as dúvidas existentes sobre seu pacote econômico, anunciado no domingo passado. Medicamentos - Em "Conversando com o presidente", seu programa de rádio transmitido três vezes por semana, o presidente Duhalde também informou que diante do desabastecimento de diversos medicamentos causada pela desvalorização da moeda, o governo os fabricará com a ajuda do Exército. Estes remédios seriam distribuídos em centros de assistência social. Demissões e preços - O governo também está planejando a elaboração de um decreto que suspenda por 180 dias as demissões de trabalhadores. A intenção do governo seria a de conter a onda de demissões que assola o país, e que em janeiro causou a perda de trabalho para 32 mil pessoas. Enquanto isso, Duhalde conseguiu uma trégua com os setores de supermercados e fornecedores, para conter por alguns dias as remarcações de preços, que já haviam causado altas entre 10% e 40% nos alimentos.O secretário de Defesa da Competência e do Consumidor, Hugo Miguens, afirmou que o governo obteve um compromisso dos comerciantes de ter um comportamento de "extrema prudência" em relação aos preços. No entanto, a população está insatisfeita com as promessas do governo Duhalde. Protestos - Na madrugada do sábado, quatro mil pessoas aglomeraram-se na Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo, para protestar contra o "corralito", denominação popular ao semi-congelamento de depósitos bancários e a disparada dos preços. O protesto varou a madrugada. Hoje de manhã, pelo menos 500 pessoas, entre elas jovens e aposentados, continuavam protestando na frente do Congresso Nacional.

Agencia Estado,

09 de fevereiro de 2002 | 15h01

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