Duhalde denuncia tentativas de chantagem

O presidente argentino, Eduardo Duhalde, intensificou seu discurso contra a decisão da Corte Suprema de Justiça em favor da liberação do ?corralito?. Em seu programa de rádio, na manhã de hoje, afirmou que o julgamento foi ?mais que um erro?, que deverá interromper o desenvolvimento produtivo e provocar a quebra de bancos. Duhalde chegou mesmo a denunciar supostas tentativas de membros do Tribunal de chantagear o governo. ?Temo que o poupador não venha a receber (o dinheiro depositado) e que isto paralise o desenvolvimento industrial e produtivo na Argentina?, declarou. ?Na Rússia, quando quebraram os bancos, houve centenas de mortos. Devemos evitar isto na Argentina?, completou, referindo-se à possibilidade de tumultos em uma possível corrida aos bancos nos próximos dias. A exposição de Duhalde no programa ?Conversando como Presidente?, transmitido pela Rádio Nacional, foi a segunda manifestação pública desde o anúncio da decisão da Suprema Corte. Na noite de ontem, ele falou por cerca de 12 minutos aos jornalistas para acentuar a sua surpresa, a gravidade da situação gerada e o risco da anarquia, bem como para frisar que não é um ?presidente débil?.Hoje, ele retomou dois pontos do discurso anterior: o seu dever de defender o patrimônio dos poupadores argentinos e sua avaliação de que conta com absoluto respaldo das forças políticas do país. Julgamento políticoDuhalde, entretanto, disparou de forma pesada contra os ministros da Corte Suprema. Relatou que, no início desta semana, quando a Câmara de Deputados instaurou um julgamento político do Tribunal, vários de membros ?começaram a chantagear? o governo e os parlamentares. ?Inclusive falaram com os ministros do Executivo nacional, pedindo que não fossem incluídos nesse juízo?, afirmou. De acordo com o analista político Joaquín Morales Solá, do jornal La Nación, o governo tentou negociar com vários dos ministros da Corte Suprema uma possível demissão, como forma de resguardar o Tribunal do julgamento político promovido pelo Congresso Nacional. Os ministros, entretanto, teriam pedido ao governo a nomeação para embaixadas em países europeus ou postos em tribunais internacionais. A contraproposta não foi aceita.Leia o especial

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