Duhalde deve se encontrar hoje com o FMI

O presidente argentino Eduardo Duhalde terá hoje o tão esperado encontro com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Horst Köhler, em Monterrey, no México, cujo último discurso deixou claro que somente a Argentina tem a responsabilidade para definir uma saída para a crise. O governo já não tem tantas expectativas de que desta reunião possa sair algum resultado positivo para acelerar os tempos da negociação e que Köhler emita algum sinal concreto de que o acordo sairá mesmo. O presidente vai insistir na defesa de que as reformas que o governo implementou nos últimos dias vão de encontro com o pedido de Anoop Singh, o auditor do caso argentino, para dar segurança jurídica ao acordo.Ele dirá que a lei de Subversão Econômica será revogada e a Lei de Falências e Concordatas sofrerá as mudanças solicitadas. Mas Duhalde terá de admitir que não adotou nenhuma medida para cortar gastos e ajustar as contas das províncias.Na Casa Rosada, as esperanças em relação à este encontro são pequenas. Uma fonte do governo comentou à Agência Estado que depois das declarações de George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, e de Anne Krueger, a número dois do FMI, o governo acredita que se o acordo sair, será num ritmo lento demais para a gravidade da situação e que, no pior dos casos, a ajuda financeira será a mínima possível, talvez somente a liberação da última parcela do ano passado que não chegou a ser enviada, no valor de US$ 1,2 bilhão. Para este ano, conforme o acordo anterior, o FMI liberaria US$ 9 bilhões. No entanto, nas contas da equipe econômica, o governo necessitaria de US$ 15 a US$ 20 bilhões. Apesar do clima não ser muito favorável à Argentina, Anne Krueger disse ontem que em 15 dias enviará a missão com poder para abrir a negociação oficial com o governo argentino. No dia anterior, Anne afirmou que o organismo ainda iria estudar a conveniência de mandar ou não uma missão negociadora neste prazo.A renegociação da dívidaO governo planeja oferecer aos credores externos títulos em pesos e sem garantia, na fase de reestruturação da dívida pública que começará dentro de 30 a 45 dias, segundo informações do secretário de Finanças, Lisandro Barry. Ele considera que a dívida externa deveria ser reduzida a pelo menos 60% de seu valor, para convencer os investidores de que terão seus pagamentos corretamente. A renegociação da dívida envolveria títulos de US$ 50 bilhões mas os novos bônus que se entregaria "não estariam baseados na concessão de garantias", afirmou Barry.Dólar continua avançandoO Banco Central argentino já não sabe o que fazer para baixar o dólar que fechou ontem em 2,60 pesos, apesar de sua intervenção com a venda de US$ 145 milhões, segundo fontes de mercado. O BC dobrou sua aposta no leilão de letras para tentar absorver pesos do mercado e evitar que os mesmos sejam direcionados à compra de dólar. Por isso, tentará colocar hoje US$ 45 milhões em letras nominadas em dólares, a um prazo de 15 dias.Os leilões anteriores, tanto em pesos quanto em dólares, ofereceram prazo de sete dias, exceto o último que foi à 11 dias. O leilão foi convocado ontem à noite ocorrerá 24 horas depois da última venda de $50 milhões de pesos em letras, cuja taxa de juros ficou em 32%. No primeiro leilão em dólares, realizado a poucos dias, o BC conseguiu captar US$ 25 milhões a uma taxa de 4,5%.Leia o especial

Agencia Estado,

22 de março de 2002 | 08h28

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