Duhalde diz que "não é para comemorar com champanhe"

"É bom, mas não é para abrir uma garrafa de champanhe." Esta foi a forma como o presidente Eduardo Duhalde analisou a possibilidade de que a Argentina consiga um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo Duhalde, desde o início do ano o país conseguiu "se virar" sem ajuda do FMI. "A Argentina está saindo do fundo do poço graças a seu próprio esforço", disse.Apesar das declarações de auto-suficiência, o governo Duhalde espera que nos próximos dias o FMI anuncie que está disposto a um acordo "mínimo" e "transitório", que poderia ter um prazo de seis até doze meses. O FMI somente assinaria um acordo definitivo com o próximo governo.Em março serão realizadas eleições presidenciais. O novo ocupante da cadeira presidencial toma posse no dia 25 de maio de 2003.Nesta segunda-feira, em Washington, o FMI anunciou que teve "intensos" e "construtivos" contatos com as autoridades argentinas. Em um comunicado, o FMI sustentou que estas reuniões continuarão nos próximos dias, com a intenção de assegurar que o programa econômico tenha uma "âncora" monetária confiável, além de garantir com firmeza a ajuste fiscal das províncias.O FMI também quer que o governo Duhalde defina a estratégia para fortalecer o sistema financeiro.No comunicado - emitido depois da reunião do ministro da Economia, Roberto Lavagna, com o diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, e a vice-diretora do organismo, Anne Krueger - o Fundo afirma que os representantes argentinos reconhecem a necessidade de conseguir consenso dentro do país para o programa financeiro.Em uma reunião anterior, de manhã, com Paul O´Neill, secretário do Tesouro dos EUA, Lavagna garantiu que o governo conseguirá esse consenso.O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que a Argentina teve um superávit comercial de US$ 1,386 bilhão em agosto. As exportações, de US$ 2,15 bilhões, tiveram uma queda de 15%, enquanto as importações, de US$ 764 milhões, registraram uma redução de 58%. Nos oito primeiros meses deste ano a Argentina teve um superávit comercial de US$ 10,959 bilhões.O Indec também anunciou que o consumo de serviços públicos caiu 6,7% em agosto em comparação com o mesmo mês do ano passado. Desde o início do ano, a queda acumulada foi de 9,7%.Dados preliminares do Indec indicam que a arrecadação tributária em setembro teria aumentado entre 17% e 21%, em comparação com o mesmo mês de 2001.Além disso, o governo calcula que a inflação de setembro seria a mais baixa do ano, ficando em 1,8%.Leia o especial

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