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Duhalde espera acordo com FMI saia antes do 14 de julho

O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, afirmou hoje que o dia 14 de julho seria o limite para seu governo conseguir um acordo com o Fundo Monetária Internacional (FMI). "Teria que ser nessa data, já que depois os organismos financeiros internacionais entram no recesso de verão (do Hemisfério Norte). Além disso, no dia 15 de julho vencem os prazos para o pagamento das dívidas que a Argentina possui com o FMI.O presidente argentino - conhecido popularmente como "El Cabezón" (O Cabeção) - disse que estava convencido de que "não existem motivos" para não conseguir um acordo com o FMI, já que "a Argentina já cumpriu tudo" o que o Fundo pediu.Mas enquanto Duhalde espera o acordo antes do 14 de julho, Gabriel Rubinstein, assessor do ministério da Economia, afirmou que o acordo "poderia demorar um pouco". Além disso, Rubinstein sustentou que quanto mais demorar, "será pior" para o país.Segundo ele, "se a Argentina não conseguir o acordo com o Fundo, e as reservas forem utilizadas para pagar as dívidas com esse e outros organismos financeiros, daqui a pouco tempo o país ficará sem reservas internacionais. Isso pode produzir, sem dúvida, uma escalada intensa do dólar, além de uma situação incontrolável".Hoje, mesmo com o feriado do Dia da Bandeira, os integrantes da missão do FMI tiveram uma série de reuniões com assessores do ministério da Economia e do Banco Central para analisar a emissão monetária deste ano. Calcula-se emitir 7 bilhões de pesos ao longo de 2002.Parte da emissão estará condicionada pela saída de fundos do "corralito" (semi-congelamento de depósitos bancários) causada pelos processos na Justiça contra o confisco. A sangria de fundos continua apesar da criação, em abril, de uma lei que restringe os processos judiciários. Enquanto que nos primeiros três meses do ano 19 mil processos judiciais permitiram a saída do dinheiro, de abril para cá o volume chegou a 17 mil. No total, os processos permitiram que 3,15 bilhões de pesos fossem retirados do "corralito".Os bancos estão preocupados com estas sangrias contínuas de fundos. Eles argumentam que a liquidez das instituições financeiras corre grave riscos com estes saques.Províncias Ainda esta semana, o chefe da missão do Fundo para a Argentina, o inglês John Thorton, se reuniria com um grupo de governadores, aos quais pressionaria para que assinem com urgência os acordos individuais de ajuste de 60% dos déficits fiscais. Por seu lado, os governadores querem que o FMI garanta que enviará os fundos com os quais as províncias poderão suportar parte do solavanco do drástico ajuste.Do total de 24 províncias, somente três assinaram os acordos definitivos de ajuste. Duas delas, a província de Buenos Aires e a de Chubut, assinaram nos últimos quinze dias. Ontem, foi a vez de La Rioja colocar a rubrica.Reservas Na quarta-feira passada, as reservas caíram pela primeira vez em mais de onze anos abaixo do limite "psicológico" de US$ 10 bilhões, e estão em US$ 9,47 bilhões.Segundo Abel Viglione, um dos principais economistas da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (FIEL) as reservas estão caindo para manter o tipo de câmbio. Viglione lamentou que as intervenções sejam sempre para "vender dólares".Nos últimos seis meses, as reservas do BC foram devastadas por uma série de problemas, entre elas as intevenções no mercado cambial, para as quais utilizou US$2,4 bilhões. Além disso, teve que ajudar o sistema financeiro argentina com redescontos, perdendo com isto US$ 2,5 bilhões. O BC também utilizou US$ 700 milhões para o pagamento de vencimentos de dívidas com organismos financeiros internacionais.Para María Castiglioni, analista da consultora Orlando Ferreres e Associados, ainda existe uma margem relativamente ampla para a redução das reservas internacionais. Segundo ela, a faixa de US$ 10 bilhões acende uma "luz amarela". O problema, afirma, seria a "luz vermelha", que se acenderia quando as reservas chegarem a US$ 6 bilhões.

Agencia Estado,

17 de junho de 2002 | 18h41

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