Duhalde espera que Reutemann anuncie candidatura amanhã

O presidente argentino Eduardo Duhalde cruzará os dedos amanhã enquanto espera que Carlos Reutemann, ex-piloto de fórmula 1 e atual governador da província de Santa Fe, anuncie que está disposto a disputar a candidatura à presidência da República pelo Partido Justicialista (Peronista). Duhalde, também um peronista, considera que Reutemann pode ser a única figura de consenso dentro do partido capaz de derrotar o ex-presidente Carlos Menem (1989-99) na convenção partidária. "El Turco", como é conhecido o ex-presidente, é o pior inimigo político de Duhalde dentro do peronismo. Além de poder derrotar Menem, o presidente considera que Reutemann seria a única figura do peronismo capaz de derrotar a deputada Elisa "Lilita" Carrió, líder do Argentinos por uma República de Iguais (ARI). Atualmente, Carrió lidera a maioria das pesquisas de opinião pública.A esperança de Duhalde é que Reutemann faça o anúncio ao longo desta terça-feira, durante as celebrações do 186º aniversário da independência do país. O presidente comandará as comemorações em Tucumán, cidade no norte da Argentina que em 1816 foi o cenário da declaração da independência. A presença do ex-piloto é esperada com ansiedade em Tucumán, conhecida como "el jardín de la República" (o jardim da República).Junto com Duhalde, estará o governador da província de Córdoba, José Manuel de la Sota. "El Gallego", como é conhecido o cordobês, era considerado no início deste ano um dos mais prováveis presidenciáveis. Mas, a escalada de conflitos sociais em sua província, somada ao estancamento de seu parque industrial, colocou a imagem de De la Sota ladeira abaixo, deslocando suas aspirações presidenciais. Agora, De la Sota contentaria-se em ser o vice de Reutemann."Consideramos que Reutemann vai apresentar sua candidatura", declarou De la Sota na véspera do feriado nacional. "É o presidenciável mais elegível, e seria muito bom para o país se ele tomasse essa decisão. Mas temos que entender que esta é uma decisão que não é gratificante para ninguém. Não é algo fácil", explicou. O que Reutemann decidirá é um mistério. Até seus próprios assessores o definem como "uma esfinge".Um dos motivos das vacilações de "Lole", como é conhecido popularmente o governador de Santa Fe, é que temeria que - caso aceite disputar a candidatura - Menem, seu antigo "padrinho" político, possa realizar retaliações que perturbem o instável clima social que sua província vive atualmente.Para tentar anular seu potencial rival, no fim de semana o irmão de "El Turco", o senador Eduardo Menem, ofereceu a Reutemann o lugar de vice na chapa com o ex-presidente. Reutemann rechaçou a proposta. Meses atrás, havia declarado que não seria vice "de ninguém".A decisão de Reutemann será um divisor de águas em sua vida, já que - segundo fontes do entourage do governador - ele optaria entre ser candidato à presidência e deixar a política para sempre e mudar-se para Mônaco, onde moram sua ex-esposa e filhas. Há pouco mais de um mês, empresários vinculados às organizações da Fórmula 1 haviam oferecido ao ex-piloto um cargo executivo.Hoje, o presidente Duhalde definiu como "um absurdo" a hipótese de que ele próprio se candidataria à presidência do país. Em referência a ele próprio e a Menem disse: "o peronismo debe apostar por novas lideranças, já que a anterior não conseguiu resolver os problemas do país".

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