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Duhalde pode usar reservas para pagar dívida

O governo do presidente EduardoDuhalde está analisando a possibilidade de realizar - de formaparcial - o pagamento da dívida que possui com o Banco Mundial(BIRD). A dívida, de um total de US$ 805 milhões, vence no dia14, quinta-feira. A idéia do governo seria a de pagar pelo menosUS$ 80 milhões, relativos aos juros. Além disso, também poderiarealizar o pagamento de US$ 200 milhões referentes ao vencimentode capital. Para estes pagamentos, o governo utilizaria asreservas internacionais do Banco Central.A não realização deste pagamento é uma linha que o governo Duhalde teme ultrapassar. Se o fizer, entrará em uma lista negra onde se encontram a Zâmbia, Camboja e Iugoslávia, entre outros países. O pagamento parcial da dívida é parte da estratégia dogoverno Duhalde de emitir sinais de "boa-vontade" para o FundoMonetário Internacional (FMI). Desde março, o governo estátentando, desesperadamente, conseguir um acordo que permita areprogramação das dívidas que o país possui com os organismosfinanceiros internacionais, pelo menos até fins de 2003. O governo argentino calcula que não há tempo suficiente parafechar o acordo antes do dia 14. No ministério da Economia, seusintegrantes acreditam que o acordo ficaria para uma dataposterior ao dia 20. No entanto, a decisão de pagar parte da dívida com o Birdsomente seria tomada na terça-feira à noite. Até lá, a equipeeconômica analisará se existe uma real chance de fechar o acordoem breve, e com isso, arriscar-se ao sacrifício de utilizar asreservas do Banco Central. As esquálidas reservas contamatualmente com US$ 9,9 bilhões, apenas um terço do que eram háum ano e meio. Enquanto isso, continuam as negociações com o FMI. O governoDuhalde, mais uma vez, afirma que está na reta final dasconversas com o Fundo, e que o fechamento do acordo é"iminente". Amanhã (segunda-feira), viajaria a Washington osecretário de Finanças, Guillermo Nielsen, para tentar concluiresta suposta última etapa, e assim, definir os detalhes técnicosdo acordo. Um dos principais problemas que ele terá queenfrentar é o de explicar o que o governo fará para implementarum novo ajuste nos gastos públicos, que é a mais recenteexigência do FMI. Simultaneamente, durante a presença de Nielsen na capitalamericana, o Fundo enviaria à Buenos Aires uma missão técnicaque avaliaria as últimas decisões econômicas do governoDuhalde.TarifasComo forma de agradar o FMI, o ministro Lavagnaconfirmou que o governo Duhalde implementará um aumento dastarifas das empresas de serviços públicos privatizados. Oimpopular aumento, uma das exigências do Fundo, poderia esbarrarna resistência do Congresso Nacional. Por este motivo, Lavagnaanunciou que o "tarifaço" será realizado por decretopresidencial. O aumento seria de 10%, um valor muito inferior aos 30%pedidos pelo FMI meses atrás. Além disso, é ainda menor que aalta de 15% que o organismo financeiro havia oferecido comocontra-proposta há poucas semanas. As empresas privatizadasestão fazendo um poderoso lobby através de seus países de origem do Grupo dos Sete, que por sua vez pressionam o FMI. No entanto, o aumento de dois dígitos não será fácil deaplicar, já que está irritando as associações de defesa dosconsumidores, que prometem declarar guerra ao governo Duhalde.Patricia Vaca Narvaja, presidente de Consumidores Argentinos,disse que recorrerá na Justiça. Mas além dos consumidores, os pequenos comerciantes tambémopõem-se à elevação das tarifas. Neste fim de semana, RubénManusovich, presidente da Fedecámaras, uma das principaisassociações de pequenos e médios comerciantes do país, anuncioua convocação de um "apagão" e um panelaço na próximasexta-feira, ao redor do Obelisco, o monumento-símbolo de BuenosAires.

Agencia Estado,

10 de novembro de 2002 | 15h58

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