Duhalde pretende fundar "segunda República"

O presidente Eduardo Duhalde declarou nesta quinta-feira que pretende "fundar uma segunda República" na Argentina, e que isso será feito, em boa parte, através da ambiciosa "Reforma Política", como está sendo chamado o pacote de leis que - se for aprovado pelo Congresso - implicará na redução em 25% dos gastos que o Estado possui com a classe política.A idéia é reduzir em 25% o número de cargos de deputados federais e estaduais, senadores e vereadores. Duhalde sustentou que esta reforma é "histórica". O governo calcula que poderá economizar quase US$ 1 bilhão anualmente com estes cortes. "É preciso falar menos e fazer mais", disse. LutaDuhalde, durante o programa de rádio que possui três vezes por semana na Rádio Nacional, afirmou que não deseja ser o presidente de "uma Argentina decadente", mas sim, de um país que faça as mudanças requeridas pela população. Por este motivo, o presidente apelou aos jovens argentinos para não emigrar: "Eles precisam ficar aqui e lutar pela Argentina que queremos".O apelo de Duhalde dificilmente teria uma resposta positiva, já que diante de um índice de desemprego de 22% e de falta de perspectivas de um fim próximo da recessão, diariamente centenas de pessoas fazem filas diante dos consulados da Espanha e Itália para conseguir vistos de trabalho. Para complicar a situação dos que desejam emigrar, o governo dos EUA comunicou que a partir de março voltará a exigir aos argentinos o visto de entrada em território norte-americano. ClubeDesde fins de 1996, a Argentina fazia parte do seleto clube de países que não precisavam de visto para entrar nos EUA. O governo norte-americano argumentou que esta medida foi tomada tendo em vista a grande quantidade de imigrantes argentinos que tentam permanecer nos EUA para trabalhar. Além disso, foi verificada uma grande quantidade de imigrantes asiáticos que entram em território norte-americano com documentação argentina.Um documento confidencial do FMI divulgado pelo jornal Página 12 indica que o organismo financeiro mantém silêncio sobre o pacote de medidas econômicas anunciadas pelo ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, no domingo passado, porque considera que o governo precisa "fazer mais".SombriaNo documento, o FMI mostra uma visão mais sombria para a economia argentina no futuro próximo, e afirma que o PIB argentino cairá 8,4% este ano, ao contrário dos 4,9% previstos pelo governo Duhalde. Além disso, o Fundo calcula que o déficit fiscal será de US$ 9,6 bilhões, quase o dobro do estipulado pelo governo.O FMI tampouco estaria de acordo com a pesificação de todas as dívidas bancárias na proporção de US$ 1 para 1 peso, já que o custo fiscal desta medida será de US$ 16 bilhões. Além disso, o Fundo não concorda com a criação de um seguro de câmbio para ajudar as empresas a pagar as dívidas externas.El TurcoAlém disso, o governo também teve que suportar críticas do principal inimigo do presidente Duhalde, o ex-presidente Carlos Menem. Rivais internos do partido Justicialista (Peronista), Duhalde foi acusado por "El Turco", como é conhecido o ex-presidente, de ter "cometido um erro estratégico ao desvalorizar a moeda, logo na hora em que a saída era dolarizar".Segundo Menem, "a Argentina não vai funcionar, nem agora, nem nunca, sem um líder. Sem liderança não existe governabilidade e sem esta não há caos".ImpeachmentA Comissão de Julgamento Político da Câmara de Deputados determinou hoje o início do processo de julgamento político dos nove juízes que integram a Corte Suprema de Justiça. Os juízes são acusados de "mau desempenho de suas funções".Entre as irregularidades verificadas, estão uma série de procedimentos suspeitos durante as investigações do atentado à embaixada de Israel, ocorrido em 1992, além de irregularidades durante o processo sobre o escândalo de tráfico de armas à Croácia e o Equador. A Comissão também investigará as ações da Corte sobre o "corralito", denominação popular do semi-congelamento de depósitos bancários.Leia o especial

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