Duhalde prometeu cumprir exigências do FMI

O presidente argentino Eduardo Duhalde prometeu ao diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, cumprir as exigências feitas pelo organismo para que se possa chegar a um acordo que livre a Argentina de um default com o Bird, BID e o próprio FMI. Em uma atitude inusitada, Köhler ligou diretamente para a Casa Rosada, ontem à noite, e reiterou a Duhalde a necessidade de se ter apoio do Congresso, frear os amparos judiciais contra o "corralito" e obrigar as províncias a cumprirem o pacto fiscal.Köhler manifestou preocupação pelas iniciativas legislativas e das sentenças do Judiciário que colocam em risco a sustentabilidade do programa econômico e pediu um compromisso amplo por parte dos candidatos à Presidência de cumprimento dos acordos com o organismo. Antes, o diretor do FMI havia enviado uma carta ao presidente.Duhalde adiantou que já está fazendo gestões junto aos candidatos, ao Congresso e à Corte Suprema e disse que está fazendo todo o possível para conseguir os consensos exigidos pelo FMI.Fontes da Casa Rosada avaliam que o gesto de Horst Köhler foi uma forma de colocar "panos quentes" na fogueira ateada pelas declarações de sua segunda, Anne Krueger, de que a Argentina deveria usar dinheiro das reservas para pagar as dívidas com os organismos multilaterais de crédito e evitar ser "castigada" pelas sanções de um default com os mesmos.Alguns analistas avaliam que em Washington voltou a preocupação de que um aprofundamento da crise argentina, provocado por um default com estes organismos, poderia repercutir negativamente na região, especialmente, no Brasil que vive um momento delicado, com o real sendo golpeado dia-a-dia, apesar do pacote de US$ 30 bilhões do FMI.O próprio ministro de Economia, Roberto Lavagna, que sempre tratou de desvincular a crise argentina da brasileira e evitou usar a palavra "contágio" durante as negociações com o FMI, passou a admitir preocupação pelos impactos que a situação argentina gera na região.Segundo uma fonte do ministério de Economia, Lavagna considerou que a conversa telefônica de Köhler com Duhalde foi motivada por este temor. As fontes da Casa Rosada avaliaram que a conversa entre o diretor gerente do FMI e o presidente foi positiva e significa "um passo importante" rumo à um acordo que o governo ainda acredita que será assinado, apesar de todos os sinais contrários.Leia o especial

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