Duhalde quer adotar modelos chileno e brasileiro

O presidente argentino, Eduardo Duhalde, declarou hoje que pretende adotar em seu país o modelo econômico chileno de abertura comercial aliada à defesa dos interesses nacionais e de importar do Brasil o exemplo de fortalecimento do empresariado.Seguindo raciocínios próximos aos do presidente Fernando Henrique Cardoso ao se referir à inserção da Argentina no contexto global, Duhalde defendeu a criação de uma moeda comum no Mercosul como primeiro passo para uma integração maior nas Américas e a adoção de uma moeda continental."Quando falamos da possibilidade de ir pensando que este processo de integração (o Mercosul) deve passar por uma moeda regional, sabemos que se trata de uma etapa prévia, para termos uma moeda continental. Algum dia o continente avançará nesse processo de integração", afirmou Duhalde para jornalistas da mídia estrangeira.Das declarações do presidente argentino sobre a política externa que seguirá, pelo menos duas posições ficaram claras. A primeira indica que Duhalde pretende turbinar o processo de integração regional, como meio de permitir o acesso da Argentina a novos mercados no menor tempo possível.Conforme defendeu, o bloco deverá avançar rapidamente nas negociações em direção a uma moeda comum, apesar dos desequilíbrios macroeconômicos atuais, e a uma integração de outros setores, além do comércio, como o cultural, o energética e o de ciência e tecnologia. O Mercosul é o âmbito para nos desenvolver, afirmou ele.A segunda posição diz respeito à sua opção de seguir o modelo dos países com êxito, em termos de inserção mundial. Conforme afirmou, o do Chile é o seu favorito por combinar muito inteligentemente a defesa de seus próprios interesses a uma abertura evidente nos setores que não produz.Duhalde ainda lembrou que, do Chile e do Brasil, também pode ser absorvida a experiência da maior aproximação entre governo e empresários para a definição dos interesses nacionais. "O Chile tem forte consciência nacional. No que avançam (em termos de redução de tarifas), o fazem com a forte parceria do governo com os empresários", afirmou.Conforme explicou o porta-voz da presidência argentina, Eduardo Amadeo, ao indicar os modelos chileno e brasileiro, Duhalde tem em mente o fortalecimento do empresariado local, a elevação das exportações de commodities com maior valor agregado e a consolidação de um ambiente macroeconômico mais saudável. "A mensagem do presidente é ter uma classe empresarial forte. Queremos copiar o Brasil, que põe ênfase no seu empresariado", afirmou.Amadeo ainda tentou imprimir mais clareza às respostas de Duhalde sobre os riscos de a Argentina adotar medidas restritivas ao comércio ou regras que possam contrariar as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente se esquivou de firmar uma posição clara.O porta-voz, entretanto, declarou que seu país não voltará ao protecionismo, mas tampouco deixará de defender seus interesses. "Todas as regras que adotaremos estarão dentro da OMC", afirmou, referindo-se ao fortalecimento da área de defesa comercial no Ministério da Produção.A visão do presidente sobre a inserção da Argentina, entretanto, indica sintonia com o discurso mantido por FHC e pela diplomacia brasileira em relação às negociações de uma nova rodada multilateral da OMC e das discussões agendadas pelo Mercosul com os Estados Unidos e a União Européia.Em tom diplomático, Duhalde afirmou que seu país trabalha para fortalecer o Mercosul, embora não se esqueça que também é fundamental manter boas relações com os americanos e os europeus.Entretanto, ressaltou que o modelo de inserção global difundido pelos peso pesados do comércio internacional não é o que convém à Argentina."Estamos em desacordo com o desenho das políticas globais, que foram absolutamente assimétricas, que significaram o protecionismo enorme sobre os produtos agropecuários e a tentativa de abertura indiscriminada no Sul, afirmou, repetindo uma lógica defendida pelo presidente brasileiro. Como vamos estar de acordo com isso?"Leia o especial

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