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Duhalde quer ativar relações com Mercosul

"Ativar os mecanismos que incrementem as relações bilaterais com o Mercosul". Esta foi a ordem que o presidente Eduardo Duhalde deu nesta quarta-feira a seus ministros. Segundo o porta-voz presidencial, Eduardo Amadeo, Duhalde pediu a seus ministros que se concentrem em medidas "para aumentar o comércio dentro do Mercosul, verificar as possibilidades de eliminar barreiras alfandegárias e não-alfandegárias que atualmente dificultam o comércio entre os dois países, além da eliminação de licenças não-automáticas".No passado, quando era governador da província de Buenos Aires (1991-99), Duhalde teve um discurso que oscilou entre posições pró-Mercosul e duros ataques ao Brasil. Em diversas ocasiões protestou contra as vantagens fiscais oferecidas por municípios brasileiros para a instalação de empresas, o que o fez alertar sobre um "êxodo" argentino para o território brasileiro.No entanto, desde que tomou posse como presidente, há dois meses, o discurso de Duhalde adquiriu tons de adesão ao Mercosul. Motivos existem de sobra, principalmente a alta dependência que a produção argentina tem em relação ao Brasil. Do total das exportações argentinas, 27% são destinados ao mercado brasileiro. As exportações de alguns setores, como laticínios e trigo, são quase que totalmente "Brasil-dependentes".Amadeo explicou que a ordem expressa de Duhalde tem como objetivo "avançar nos próximos dias em diálogos bilaterais tanto com o Brasil como com o México". No caso mexicano, as negociações se referem primordialmente ao comércio automotivo.A Câmara de Exportadores da Argentina (CERA) anunciou que as exportações totais do país vão sofrer redução de US$ 2 bilhões neste ano. Isso equivale a 8% a menos do que no ano passado.A CERA também protestou contra a determinação governamental de que o pagamento dos direitos de exportação sejam efetuados no momento de exportar: "Ou seja, muito antes de receber por sua venda, o que agrava os sérios problemas de liquidez do setor".Na semana passada, o governo estipulou uma retenção de 10% para as exportações de produtos primários e de 5% para as vendas ao exterior de manufaturas agropecuárias e industriais.O ex-secretário de Comércio Exterior, Raúl Ochoa, definiu esta determinação como "kafkiana": "Antes, os exportadores tinham reembolsos, e agora sofrem retenções. Enquanto outros países concedem subsídios e ajudas para a exportação, aqui na Argentina castigamos nossos exportadores".Os produtores de leite das províncias de Córdoba, Santa Fe e Buenos Aires vão prolongar por tempo indeterminado os bloqueios que realizam desde o início da semana nas estradas de acesso às indústrias de laticínios. Os produtores exigem do governo permissão para aumentar o preço de seus produtos, que estão regulados.O bloqueio nas estradas já está causando o desabastecimento do produto nos pequenos comércios das principais cidades do país. Nas províncias de Córdoba e Santa Fe, nesta quarta-feira, os produtores distribuíram leite gratuitamente à população pobre.Leia o especial

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