Duhalde quer o fim da disputa entre Lavagna e Pignanelli

O presidente Eduardo Duhalde colocará, neste fim de semana, um ponto final na disputa entre o presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, e o ministro de Economia, Roberto Lavagna. A informação é do porta-voz da Presidência, Eduardo Amadeo. Em entrevista à Agência Estado, Amadeo disse que o presidente deverá convocar os dois funcionários, nos próximos dias, para "que eles resolvam esta briga".O porta-voz classificou Lavagna e Pignanelli de "pessoas complicadas" e disse que a Argentina não está acostumada a ter um Banco Central independente, deixando explícito que o presidente Eduardo Duhalde não aprova a postura do ministro Lavagna de ir contra as gestões de Pignanelli junto ao Fundo Monetário Internacional. Desde o começo da semana, Pignanelli se encontra nos Estados Unidos, onde mantém diversos contatos com os diretores do FMI para discutir o programa monetário e a saída do "corralito".A iniciativa, autorizada por Duhalde, gerou curto-circuito com Lavagna que reivindica para si o único poder de negociar com o organismo. O mercado já começou a sentir as diferenças e o dólar paralelo subiu três centavos. Se o ministro está contrariado com a divisão do poder na condução da política monetária do país, o FMI está satisfeitíssimo.Elogio a PignanelliA Agência Estado apurou que houve uma conversa hoje, por telefone, entre um dos diretores do FMI com um alto funcionário de Eduardo Duhalde, na qual o organismo elogiou as negociações de Aldo Pignanelli e disse que "estamos (o FMI) muito contentes com a independência do Banco Central". A mensagem foi recebida pelo governo como um "ótimo sinal" de que está havendo um avanço significativo nas negociações com o objetivo de se chegar à um acordo para ajudar a Argentina.Esta conversa telefônica também sinaliza que se o ministro Lavagna não baixar o tom de discussão com Pignanelli , terá que deixar o cargo antes do que pensava. Segundo o porta-voz , Eduardo Amadeo, o presidente não pensa em demitir Lavagna e este não ameaçou apresentar sua renúncia, como veiculou a imprensa local. Porém, será uma situação difícil de ser sustentada se os decibéis de Lavagna não forem reduzidos. Duhalde quer que o BC e o ministério de Economia trabalhem juntos, se isso não for possível, alguém terá que ser substituído e, pelo jeito, desta vez não será o titular do BC, como ocorreu com Mario Blejer. "A solução para a questão financeira requer muito mais que medidas para o corralito. Tem o corralão (depósitos a prazo fixo) e os bancos públicos. Qualquer saída tem que ser neste sentido e isso vão demonstrar os sábios (a comissão de notáveis) , na semana que vem. A economia argentina exige que o BC e o ministério de Economia trabalhem juntos", explicou Amadeo.

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