Duhalde rebate Kirchner: desvalorização "salvou" Argentina

A trégua entre o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde e o atual, Néstor Kirchner, parece estar terminando. Em respostas a recentes declarações de Kirchner, criticando o fim da conversibilidade (paridade do dólar com o peso), que durou mais de uma década, Duhalde disse que a desvalorização do peso argentino foi uma das medidas que "salvaram" o país. Em janeiro de 2002, o governo Duhalde não só acabou com a de mais de dez anos de paridade do peso com o dólar como permitiu uma forte desvalorização da moeda argentina."Eu sabia a opinião de Néstor (Kirchner) desde que me decidi (pela desvalorização). São opiniões. Mas tratava-se de um momento de confusão no qual era necessário tomar decisões todos os dias", disse Duhalde neste sábado, em entrevista a uma rádio argentina. "Eu acredito que a discussão não leva a nada, porque o que menos querem as pessoas agora é escutar discussões entre líderes", acrescentou o ex-presidente. Para ele, a realidade da economia argentina mostrava que a moeda argentina não valia o que estava valendo naquele momento e afirmou que estava convencido de que a desvalorização salvou a Argentina.Ainda em tom irônico, Duhalde declarou na entrevista que a Argentina não será um país confiável enquanto não sair da moratória e alertou: "Estamos em um momento tremendamente difícil no qual é improvável que entrem importantes remessas de dinheiro." O ex-presidente se referiu a investimentos diretos que, desde a moratória, deixaram de entrar no país. A briga entre Kirchner e Duhalde, de acordo com a imprensa argentina, pode complicar a aprovação de leis no Congresso, principalmente na Câmara de Deputados, onde os seguidores de Duhalde são maioria.

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