Duhalde tira limite de salário do servidor

O presidente Eduardo Duhalde derrubou o decreto de seu antecessor, Adoldo Rodríguez Saá, que limitava em $3 mil pesos o salário do funcionalismo público. A decisão de Duhalde surpreendeu a todos, já que a medida foi publicada no Diário Oficial sem nenhum alarde. O argumento do ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov é de que o limite gerou "graves problemas porque os bons técnicos preferiam ir para o setor privado e deixar o governo sem gente capacitada". Ele cita como exemplo, as dificuldades para elaborar o Orçamento. A medida caiu mal já que vai em contra a política de austeridade necessária nos tempos de crise e prometida por Duhalde. Por isso, o presidente deverá assinar novo decreto fixando o teto dos mesmíssimos $3 mil pesos somente para os cargos políticos, isentando os técnicos deste limite de salário.Técnicos do FMI criticam projeto do orçamentoO projeto de Orçamento da Argentina para 2002 foi rejeitado e criticado pelos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) que se encontram na Argentina desde ontem para checar as contas públicas. "A situação fiscal é mais grave do que acreditávamos", disseram os encarregados da segunda missão do organismo, que trabalha no país, ao secretário de Fazenda, Oscar Lamberto, autor do projeto. Segundo informações de um assessor do secretário, os técnicos Luis Cuwedu e Ernesto Ramírez foram contundentes em suas avaliações negativas também sobre as projeções de crescimento, nas quais se espera uma contração de 2% a 4%, contra os 10% a 12% projetados pelas consultorias privadas e o próprio FMI. O governo pensa que a partir de julho haverá crescimento, ao contrário do FMI e dos economistas que apostam num PIB negativo para o ano. Os técnicos insistem em que, para fechar as contas, o governo precisa fechar todas as torneiras, incluindo a de envio de recursos para as províncias. Além do corte de 13% do piso de US$ 1,364 bilhão de repasse do regime de coparticipação de impostos, determinado pelo ex-ministro Domingo Cavallo, o presidente Eduardo Duhalde quer ampliar este corte para 25%. Mas esta será uma dura tarefa para o presidente porque os governadores não estão dispostos a ceder, como não o fizeram com o ex-presidente Fernando de la Rúa. Hoje, os governadores vão se reunir para discutir o assunto e reclamar ao governo federal o envio dos lecop((letras de cancelamento de obrigações provinciais) que Duhalde prometeu para o pagamento de salários e outros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.