Duhalde vai decretar emergência sanitária no país

O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, vai assinar nos próximos dias um decreto de necessidade e urgência que declara o país em estado de ?emergência sanitária? até o fim do ano. O decreto tem a intenção de minorar alguns dos graves efeitos da recessão, que dura mais de três anos e meio, e do desemprego, calculado em 22% da população economicamente ativa.O cenário social argentino se agrava com a disparada da pobreza, que atualmente atinge 44% dos habitantes do país. Com o decreto de emergência sanitária, o governo criará um seguro para fornecer uma ?cesta básica? de medicamentos para famílias de desempregados.GenéricosEste seguro será criado através do desconto de 3 pesos de cada 200 pesos que serão destinados mensalmente aos pais e mães de família que estiverem desempregados. Além disso, o governo autorizará os médicos de todo o país a dar receitas médicas com o nome genérico do remédio, sem especificar sua marca. Com isto, os pacientes poderão escolher marcas mais baratas.O governo Duhalde também pretende enviar 50 milhões de pesos (US$ 25 milhões) às províncias para que adquiram medicamentos. O governo conseguiu redirecionar empréstimos de US$ 163 milhões do BID e de 120 milhões para o financiamento de remédios mais caros, como os utilizados no tratamento da aids.Escalada de preçosCom a desvalorização do peso, que foi de quase 100% em relação a dezembro do ano passado, os remédios entraram em uma escalada de aumento de preços que causou remarcação entre 40% e 100%, entre os nacionais e os importados.Os hospitais públicos, que já estavam à beira do colapso financeiro por causa dos sucessivos cortes orçamentários aplicados no último ano, começaram a sofrer o desabastecimento de medicamentos com a desvalorização do peso. Com isto, centenas de cirurgias em todo o país foram adiadas sem data definida. Além disso, as luvas cirúrgicas tornaram-se uma raridade nos hospitais do país.Desde o dia 18 de dezembro as farmácias deixaram de vender remédios aos aposentados, alegando que o Estado não lhes pagava há vários meses.O governo também determinaria a suspensão de todo tipo de processo judicial contra o Sistema Previdenciário e as empresas sindicais de planos de saúde, que controlam o mercado na Argentina.Pré-anarquiaPelo segundo dia consecutivo, o presidente Duhalde afirmou que o país está em estado de ?pré-anarquia?. Duhalde deu razão ao papa João Paulo II, que há poucos dias afirmou que a democracia argentina corria risco de vida. ?São palavras de um pai que ama seus filhos?, comentou o presidente.Segundo fontes governamentais, semanalmente chegam à Casa Rosada, sede do governo, relatórios que informam sobre o aumento da criminalidade em diversas áreas do país e alertam para a possibilidade de novos protestos populares.Tentativa de saqueNesta semana, um grupo de desempregados tentou saquear um supermercado na província de Córdoba. O saque foi evitado pela polícia. A preocupação do governo é que a escalada de preços registrada nas últimas três semanas se alie ao aumento do desemprego, criando assim um coquetel social explosivo.O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, considera que ?a estabilidade no tipo de câmbio deveria ser traduzida em uma estabilidade de preços?. Capitanich também sustentou que ao longo deste ano serão concedidos subsídios-desemprego para 184 mil pessoas. Estes subsídios seriam de US$ 150, o que implica um aumento de 30% em relação ao ano passado.Segundo o presidente Duhalde, ?daqui as dois meses os argentinos poderão ver a luz no fim do túnel?. O presidente também afirmou que seu governo tem respaldo popular e comentou como trunfo a redução significativa, nos últimos dias, do número de panelaços de protesto contra seu governo.Leia o especial

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