Duhalde vai pedir ajuste fiscal às províncias

O mau-humor ficará impresso no rosto dos governadores das províncias argentinas quando o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, lhes disser nesta terça-feira que terão de implementar um ajuste fiscal de pelo menos 4 bilhões de pesos (US$ 2 bilhões).Remes Lenicov vai explicar em tom de ultimato que os governadores não têm outra opção, a não ser ?o caos?, expressão utilizada desde o governo do ex?presidente Fernando De la Rúa para pressionar os governadores a aceitar os ajustes exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).Neste caso, ?o caos? seria o que poderia acontecer à Argentina se faltar a tão esperada ajuda financeira por parte do FMI. O organismo financeiro exige como condição sine qua non que as províncias passem por um drástico enxugamento de seus gastos.O Fundo Monetário pretende que o déficit provincial volte, pelo menos, aos níveis atingidos no ano 2000, quando chegou a 3,2 bilhões de pesos (US$ 1,5 bilhão). No ano passado, o déficit conjunto das províncias foi de 5 bilhões de pesos (US$ 2,5 bilhão).Outro ponto difícil de digerir para os governadores é a exigência de que, depois da desvalorização da moeda nacional, o peso, as dívidas das províncias com os bancos particulares (em sua imensa maioria em dólares) não sejam renegociadas na proporção de US$ 1,00 a 1,40 peso, como estava inicialmente previsto (e que implicaria a União pagar a diferença), mas, sim, na proporção de US$ 1,00 a 1 peso.Os governadores resistem a aplicar novos cortes, alegando que, se o fizerem, os conflitos sociais vão alastrar-se pelas empobrecidas províncias do interior. Na semana passada, alguns governadores tiveram que enfrentar o ressurgimento ? embora em pequena escala ? dos saques a supermercados.Durante as negociações, Remes Lenicov estará acompanhado do chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, e o ministro do Interior, Rodolfo Gabrielli.Para o analista político Rosendo Fraga, as exigências do FMI vão levar Duhalde à uma rota de colisão com os governadores e os sindicatos: ?Se ele não conseguir um acordo com eles, o FMI não dará o dinheiro, e a economia argentina não será reativada. Mas se o governo obrigar as províncias ao ajuste, perderá o apoio dos governadores, e também dos sindicatos?.Fraga faz previsões sombrias sobre o futuro próximo: ?Não parece ser fácil Duhalde conseguir o apoio da maioria dos governadores?. Por este motivo, no dia 24 deste mês, o presidente Eduardo Duhalde partirá em uma tournée pelas províncias do interior, para tentar obter respaldo político e popular para seu governo.Nesta primeira viagem, Duhalde passará por Tucumán, Santiago del Estero e Córdoba. A data escolhida por Duhalde é simbólica, já que se trata do 56º aniversário da eleição que levou o então general Juan Domingo Perón à presidência do país. O general Perón foi o fundador do partido de Duhalde, o partido Justicialista (Peronista).A idéia dos assessores de Duhalde é levar o presidente a um cenário menos hostil do que o da capital do país, onde diariamente enfrenta protestos populares contra sua política econômica. Nas províncias do interior, os caciques locais conseguem com relativa facilidade multidões dispostas a aplaudir o presidente em troca de refrigerantes e um ?choripán? (sanduíche tradicional, feito com lingüiça).Leia o especial

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