Dúvida agora é se a Selic subirá 0,25 ponto ou 0,5 ponto

Análise: Fábio Alves

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h06

As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sacramentaram entre analistas e investidores a seguinte percepção: os juros sobem na reunião do Copom da semana que vem. Fica esclarecido, agora, o significado da palavra cautela, repetida exaustivamente nos últimos discursos de Tombini. Assim, "cautela" não está sendo interpretada quanto ao momento do aperto monetário, mas quanto ao seu ritmo.

A grande dúvida passa a ser, agora, se o Comitê de Política Monetária (Copom) elevará a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual ou 0,5 ponto. Se o Banco Central surpreender o mercado na semana que vem, mantendo os juros estáveis em 7,25%, o prejuízo será muito grande para a credibilidade da política monetária conduzida pelo Banco Central.

Afinal, as palavras de Tombini, ontem, não poderiam ter soado mais claras em termos de sinalização de um aperto monetário iminente. "Não há nem haverá tolerância com a inflação", disse na 25.ª Reunião de Presidentes de Bancos Centrais da América do Sul, no Rio.

Antes disso, o que decretou a alta de juros na semana que vem, para o mercado, foi a seguinte frase do ministro Mantega: "Vamos tomar medidas, mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros".

Tais declarações causaram uma grande surpresa no mercado, acentuando a escalada nas taxas dos contratos de juros mais curtos, que já era provocada, segundo comentários que circulam nas mesas de operação, pela desenfreada reversão de posição de um participante do mercado que vinha apostando na manutenção da Selic.

Alguns analistas, como por exemplo Tony Volpon, da Nomura Security, anteciparam sua aposta em uma alta de juros para abril. Volpon, agora, espera uma elevação da Selic de 0,5 ponto porcentual na semana que vem.

Um dos fatores que surpreenderam o mercado foi o momento da sinalização de Mantega e de Tombini. Sim, desde o almoço da presidente Dilma Rousseff com os economistas Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e Yoshiaki Nakano, na segunda-feira, o mercado vinha com a impressão de que a alta dos juros já havia sido aceita e autorizada pela presidente.

Mas o que alguns analistas e investidores ouvidos ontem ainda se perguntam é: o que mudou na cabeça da presidente nos últimos dias para que as declarações mais fortes e duras de Mantega e Tombini fossem feitas, sinalizando que o início do aperto monetário vai ocorrer na semana que vem e não na reunião do Copom, em maio?

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