Dúvida sobre ciclo de corte da Selic faz dólar retomar R$ 1,77

Cenário:

SILVANA ROCHA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h09

O mercado de câmbio doméstico manteve-se volátil ontem, mas operou na direção contrária da véspera. Ou seja, o dólar abriu em queda ante o real e, no fim da manhã, virou o sinal para alta, que se renovou várias vezes durante a tarde. Em meio a um fluxo cambial pequeno e equilibrado, o preço à vista reproduziu o comportamento do cambio futuro, onde os investidores fizeram algumas apostas especulativas e para proteção diante da dúvida que pairava sobre o tamanho do corte da taxa básica de juros, a Selic, ontem e também em relação à extensão do cliclo de afrouxamento monetário. Por isso, o dólar por aqui destoou da relativa estabilidade da divisa norte-americana em relação ao euro e a uma cesta de moedas (dólar Index), segundo operadores consultados. Com valorização final de 0,74%, o dólar à vista retomou a cotação de R$ 1,7740 no balcão, com um giro financeiro de US$ 1,294 bilhão.

No mercado de juros, depois da decisão polêmica em agosto, os investidores se posicionaram para uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sem surpresas, com redução de 0,50 ponto, trazendo a taxa Selic para 11,50% ao ano. Sem novidades no front externo que pudessem trazer ajustes adicionais, os agentes financeiros passaram a quarta-feira em contagem regressiva para o resultado do Copom, que só saiu após o encerramento do pregão. As taxas futuras curtas apresentaram ligeira baixa, enquanto o mercado cultivava dúvidas sobre a duração do ciclo de redução de juro, por estar atrelado basicamente ao quadro internacional. Os juros de médio e de longo prazos exibiram recuos mais acentuados.

Na Bovespa, se a Vale surfou na terça-feira na onda de otimismo na reta final dos negócios e conseguiu fechar em alta, ontem a história não foi bem assim. Os investidores puniram o papel com o noticiário dos últimos dias e as ações da empresa registraram perdas de mais de 2%, extrapoladas ainda à Bradespar, principal controladora da mineradora.

O Ibovespa, no entanto, até que conseguiu operar em alta em vários momentos da sessão, acompanhando o mercado internacional, mas como Petrobras e siderúrgicas também estavam no vermelho, acabou recuando no fechamento.

O principal índice da Bolsa brasileira terminou em baixa de 0,12%, aos 54.966,13 pontos, com giro financeiro de R$ 5,856 bilhões. Com o resultado, no mês, acumula ganho de 5,05% e, no ano, queda de 20,69%.

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