Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Dúvida sobre reforma da Previdência segura a Bolsa

Mesmo fechando o pregão em alta na sexta-feira, o índice acumulou perdas de 2% no mês e voltou ao patamar dos 95 mil pontos

Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2019 | 04h00

Atrelado ao noticiário sobre a reforma da Previdência, que ainda gera muitas dúvidas, o Ibovespa se distanciou novamente dos 100 mil pontos. Mesmo fechando o pregão em alta na sexta-feira, 8, o índice acumulou perdas de 2% no mês e voltou ao patamar dos 95 mil pontos. Para que a tendência de alta seja retomada no curto prazo, será preciso que governo e parlamentares se ajustem e pensem em soluções rápidas, além, é claro, de um cenário internacional mais otimista, principalmente em relação às questões comerciais entre Estados Unidos e China, na avaliação de Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

“Após a forte correção da semana, o Ibovespa ficou um pouco distante do 100 mil pontos. Acreditamos que a reforma da Previdência e soluções para crise fiscal sejam os principais drivers para a bolsa. No cenário internacional a pauta continua com China e Estados Unidos”, afirma Chinchila.

Para a equipe do Santander, passado um mês de forte valorização dos ativos domésticos em janeiro, o Ibovespa deve encontrar dificuldades de renovar sucessivas máximas a partir de agora, uma vez que as expectativas de sucesso sobre as reformas fiscais são elevadas, porém a tramitação dos projetos no Congresso pode ser mais lenta do que a inicialmente esperada.

“Isto não invalida nossa visão favorável em relação ao índice para o ano, porém reconhecemos que a valorização dos ativos ficará mais dependente do andamento da reforma da Previdência dentro do Congresso. Embora esperada e bem-vinda, a superação dos 100 mil pontos não necessariamente dependerá do ingresso de recursos estrangeiros. Vale lembrar que durante o último trimestre de 2018, o Ibovespa saiu de 79 mil para 88 mil pontos, sendo que os investidores estrangeiros foram vendedores líquidos no período”, diz o banco.

Pedro Galdi, analista de investimento da Mirae Investimentos, explica que o Ibovespa já teria alcançado os 100 mil pontos se não fosse o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Mas ele acredita que o índice segue em evolução e tende a alcançar este patamar. De acordo com a Mirae, o viés segue para este ano na faixa de 110 mil a 130 mil pontos para o Ibovespa, dependendo muito do sucesso do novo governo com as reformas.

De acordo com ele, a piora dos indicadores de atividades na Zona do Euro e China, que reforça o temor de desaceleração da economia mundial batendo nas bolsas e contaminando no Brasil o Ibovespa, pode inibir o alcance deste alvo de forma rápida e é apontado como risco de curto prazo.

“Tem ainda a pressão da Vale com o acidente e o ônus do processo. Mas lembramos que o preço do minério de ferro ficou congelado na semana com o feriado estendido do ano novo (na China). Aguarda-se que a volta do preço do metal tenha um ajuste com o embargo da unidade de Brucutu, ou retirada de mais 30 milhões da oferta da empresa no mercado mundial de minério de ferro”, afirma Galdi.

Para a próxima semana, a Guide Investimentos tirou a B3 (ON) de sua lista e colocou Lojas Renner (ON). Na Mirae Investimentos entraram Indústrias Romi (ON), Pão de Açúcar (PN), Duratex (ON), Randon (PN) e BB Seguridade (ON). A Nova Futura colocou na lista Cesp (PNB), Vale (ON), Porto Seguro (ON), Lojas Marisa (ON) e Smiles (ON). Na Modalmais entraram Itaú (PN), Lojas Renner (ON) e B3 (ON).

 

Cautela

O mercado está mais cauteloso sobre o desempenho do Ibovespa na próxima semana, mostra o Termômetro Broadcast Bolsa, que tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do principal índice de ações da B3 na semana seguinte.

Entre 38 participantes, 50% acreditam que a semana será de ganhos para as ações, porcentual menor do que os 70,97% apurados na pesquisa anterior. Ao contrário, a fatia dos que veem queda saltou de 6,45% para 26,32%. Por fim, a expectativa é de estabilidade para 23,68%, ante 22,58% no levantamento passado. O Ibovespa teve perda semanal de 2,57%.

A agenda local tem como destaque a divulgação da ata da reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que vai detalhar a decisão de manter a Selic em 6,50%. A agenda prevê também indicadores do comércio e de serviços, apurados pelo IBGE, e o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), todos de dezembro, que podem ajudar nas previsões para o PIB do quarto trimestre.

Ainda, os investidores estarão de olho na movimentação do governo sobre a reforma da Previdência e na temporada de balanços do quarto trimestre, com resultados como os do Banco do Brasil e Usiminas.

No exterior, a preocupação com a desaceleração da economia global coloca os holofotes sobre os dados. Nos EUA, na quarta-feira, será conhecida a inflação ao consumidor de janeiro. Na Europa, os destaques são o PIB da Alemanha e da zona do euro, na quinta. Entre os eventos, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursa na terça-feira e, mais para o final da semana, a aversão ao risco pode aumentar, uma vez que entre sexta-feira e sábado expira o prazo do atual orçamento norte-americano. Caso o Congresso não aprove um novo texto até lá, a máquina pública pode ser novamente paralisada.

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