Dúvidas sobre a economia da China provocam saída de capital

Investidores também estão cautelosos pela relutância do premiê em fazer mudanças para lidar com a desaceleração

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2013 | 02h08

Os investidores estão resgatando os aportes feitos nos mercados da China, com os receios crescentes sobre a desaceleração da economia do país e após Pequim esfriar as conversas sobre o fornecimento de estímulos para a economia chinesa. Gestores de fundos globais desfizeram investimentos em ações chinesas em 16 das últimas 18 semanas, incluindo US$ 834 milhões em um período de cinco dias, encerrado em 5 de junho. Essa foi a maior saída de capital desde janeiro de 2008, quando a crise financeira começou, de acordo com os dados da consultoria EPFR.

O clima desfavorável também está atingindo o mercado de câmbio, com os investidores apostando que o yuan vai cair, contrariando os esforços do banco central chinês para manter a moeda forte. Neste ano, o Índice Xangai Composto despencou 12,1%, registrando a maior queda entre os índices asiáticos e um dos piores desempenhos do mundo.

Muitos investidores culpam os líderes recém-nomeados da China, que tomaram posse em março, e que ainda têm de lidar com a desaceleração do crescimento e o fraco desempenho do mercado de ações. Embora as autoridades tenham procurado esfriar a recente crise de liquidez que abala os bancos, a próxima grande reunião de política monetária não acontecerá até o outono (no Hemisfério Norte), o que deixa os investidores no escuro sobre a direção da política econômica do país.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, tem indicado que Pequim está relutante em mudar suas políticas monetária e fiscal para combater a desaceleração. Outro sinal preocupante para os analistas é que o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central do país) continua decidido a manter o yuan em uma faixa estável.

Existem sinais de que investidores domésticos também estão retirando dinheiro do mercado. Importantes acionistas - aqueles definidos como majoritários, diretores seniores e indivíduos com uma fatia maior do que 5% - estão se desfazendo de ações. Em maio, as vendas feitas por esses investidores sobre índices de empresas pequenas e em crescimento alcançou o nível mais alto em termos porcentuais desde a crise financeira global, de acordo com uma pesquisa do UBS. / DOW JONES NEWSWIRES

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