André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dyogo no BNDES é positivo para venda da Eletrobrás, mas indefinições no MME geram apreensão

Escolha do comando do Ministério de Minas e Energia é considerada como decisiva para os rumos do processo de privatização da estatal

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 18h15

A ida do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, para o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) foi recebida como positiva para o andamento do processo de privatização da Eletrobrás. Mas, a demora do Palácio do Planalto na definição do nome do sucessor de Fernando Coelho no comando do Ministério de Minas e Energia (MME) é motivo de grande apreensão na área econômica do governo.

Na reforma ministerial, Temer optou pela continuidade nos ministérios da Fazenda e Planejamento com a escolha dos secretários-executivos Eduardo Guardia e Esteves Colnago, porém, no caso do Ministério de Minas e Energia, uma solução caseira com a nomeação do secretário Paulo Pedrosa para o posto de ministro enfrenta resistências políticas. Como Guardia e Colnago, Pedrosa é técnico e teve um papel decisivo para dar unidade conceitual às ações da pasta.

A escolha do comando do Ministério de Minas e Energia é considerada como decisiva para os rumos do processo de privatização da estatal e das seis distribuidoras de energia administradas pela Eletrobrás e que ficam nas regiões Norte e Nordeste.

Guardia, Esteves e Pedrosa formaram uma aliança dos três ministérios importantes na elaboração técnica e condução do modelo de privatização. A avaliação é de que está em jogo agora dois caminhos que podem ser seguidos pelo presidente Michel Temer: buscar a conciliação política para levar à frente o processo ou acomodar interesses político-eleitorais, o que representaria uma renúncia da bandeira reformista do governo.

Peça-chave em todo o processo, o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira, pode deixar o cargo, assim como Pedrosa, se os rumos da política adotada até agora ficarem comprometidos. Um dos pontos de enfrentamento é a tentativa de garantir estabilidade para os funcionários da empresa depois da privatização por meio da criação de um novo fundo.

+ FERNANDO DANTAS: Entraves à privatização

Apesar das resistências políticas, há uma percepção de que a privatização mais cedo ou mais tarde já é irreversível. Se o processo não andar, as distribuidoras terão que ser liquidadas com grande custo para manter a Eletrobras.

BNDES. Já a mudança de Oliveira para o BNDES dá gás ao processo, segundo fontes do governo. Na semana passada, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) publicou no Diário Oficial da União resolução que define como se dará a atuação do BNDES no processo de desestatização da estatal. A resolução, na prática, abre o caminho para que Temer assine um decreto incluindo a estatal no Programa Nacional de Desestatização (PND), etapa ainda pendente para destravar o processo de privatização.

O ato do PPI recomenda que o BNDES fique responsável pela execução e pelo acompanhamento da desestatização da Eletrobras, com uma série de competências, dentre elas a contratação de serviços e estudos técnicos e de auditor externo. Segundo fontes, Oliveira, que tem um perfil de ser "operador", pode acelerar a participação do banco e alinha as diretrizes com essa agenda.

Mais conteúdo sobre:
energia Dyogo Oliveira Eletrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.