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'É a maior humilhação da minha vida'

Juan Antonio Estrella passou a ser mais um em meio a exército de despejados

MADRI, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h08

Nove horas da manhã de uma terça-feira como qualquer outra em Madri. No bairro Esperanza, a polícia se prepara para desalojar mais uma família que há meses não paga a hipoteca. Juan Antonio Estrella, a vítima, pede que a reportagem do Estado não faça fotos. "É o momento mais humilhante da minha vida", declarou. A reportagem acompanhou a ação da polícia, retirando do local ele, a mulher e três filhos menores.

No corredor de seu apartamento e na porta do edifício, grupos de manifestantes chamavam os vizinhos para protestar, insultando os fiscais e autoridades que conduziam a operação, batendo panelas. "Não sou criminoso. Para que tanta polícia", gritava Estrella. Entre berros, choros, empurrões e muito nervosismo, a família Estrella se transformava em poucos minutos em mais uma no exército de despejados das próprias casas na Espanha. A única renda da família vem da mãe, Ester, com salário de 820, inferior ao que o banco exigia como pagamento mensal pelo apartamento que haviam comprado em 2005.

A expulsão foi feita, mas sem que antes uma rua inteira fosse mobilizada. Por toda a Espanha, a onda de despejos também provocou uma onda de formação de entidades para defender os moradores. "Só nos resta a desobediência civil organizada", defende Chema Ruiz, um dos líderes da Plataforma de Afetados pela Hipoteca, uma entidade que vem crescendo e ganhando repercussão nacional.

Ruiz, que também foi expulso de sua casa, chegou a ser preso em 2012 por participar de manifestações. Mas insiste que não há outra solução senão a mobilização. "Não somos criminosos", disse. "Há gente que perdeu tudo e chega às reuniões se sentindo culpada. Temos de fazer essas famílias entenderem que são vítimas", insisitu indignado.

Uma das formas é a de realizar protestos nas portas das casas de deputados, políticos e senadores, pedindo que o Congresso modifique as leis, dificultando a expulsão. São os "escraches", atos que políticos vêm acusando de estar sendo realizados por "terroristas". Para os hipotecados, trata-se da única forma de chamar a atenção e pedir mudança garantindo que a pessoa despejada possa ter uma ajuda social do governo para, pelo menos, pagar um aluguel na casa onde vive.

Nesta semana, o Partido Popular de Mariano Rajoy votou uma modificação na lei de moradia. Mas não atendeu a praticamente nenhum pedido das vítimas, que queriam garantias sociais. Para a Plataforma, o que a aprovação da nova lei fez foi apenas reforçar a mobilização para pressionar a classe política.

Outra iniciativa tem sido a ocupação de bancos quando uma família é convocada pelo gerente para ser informada que perderá a casa.

Luis Vargas, um colombiano que vive em Madri há 23 anos, não deixa de apontar a "hipocrisia" da sociedade espanhola, alertando que o assunto dos desalojamentos só ganhou dimensão nacional quando começou a afetar os espanhóis. "Desde o início da crise em 2008, nós imigrantes sofremos isso", disse. "Há dois anos perdi minha casa, mas ninguém veio me proteger. Agora que são os espanhóis que estão sofrendo, há finalmente uma conscientização de que a crise terá um impacto social profundo." De fato, em 2012, 75% dos desalojamentos afetaram espanhóis. / J.C.

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