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E agora, Dilma?

A percepção é a de que, seja qual for o desfecho, está em curso um movimento de destravamento do impasse da política econômica

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 21h47

Cada um comemora do seu jeito. Tem quem bata palmas, quem abra um champanhe, quem solte rojões e fogos de artifício - como os palmeirenses na madrugada de quarta para quinta. O mercado financeiro comemorou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma com alta da Bolsa e derrubada da cotação do dólar (veja o Confira). Por enquanto, isso não passa de um descarrego.

É engano imaginar que o impeachment resolveria os problemas que empacam a economia. O que fica manifestado agora por quem lida com negócios e finanças é a percepção de que, seja qual for o desfecho, está em curso um movimento de destravamento do impasse político e, por consequência, do impasse da política econômica.

Do ponto de vista das soluções imediatas para os problemas da economia, a situação ainda é de adiamento. O Congresso continuará fervendo, sem entrar nas decisões de mérito, até que se defina quem vai mandar no País e em que condições. 

O PT tem dois caminhos. Ou cerra fileiras em defesa da presidente Dilma e, nesse caso, estará obrigado a apoiar seu programa de ajuste, sem as vacilações mostradas até agora ou entrega os pontos e parte para a oposição.

E há razões para esta segunda opção. A crise de ingovernabilidade atrapalha seus projetos políticos, especialmente os de 2018, quando se elegerão não apenas o novo presidente da República, mas também governadores, dois terços do Senado e a composição da Câmara dos Deputados e das Assembleias Legislativas.

A pergunta que passa pela cabeça de qualquer político do PT é se não seria melhor desistir agora da Presidência da República que lhe causa tanto desgaste e partir para a oposição ao governo que se instalaria para distribuir tantos sacos de maldades. Com dois anos de oposição, coisa que os petistas sabem fazer melhor, virar um jogo que hoje parece perdido pode ser mais promissor do que seguir perdendo sangue e votos. Quem entregou a cabeça de Eduardo Cunha na Comissão de Ética, à custa de quebra de compromissos assumidos nos conchavos, parece capaz também de deixar que a presidente Dilma volte para casa. A ver.

A hipótese da rejeição do impeachment também parece melhor do que a do prolongamento indefinido dessa situação de desgoverno e de falta de perspectivas. Pelo menos um impasse estará rompido.

Não há, no momento, nenhum encaminhamento confiável de soluções para a encalacrada das contas públicas nem para a retomada do crescimento econômico e do emprego. 

Mas é considerável o potencial de recuperação. Bastará a adoção de um programa econômico consistente para que retorne a confiança do setor produtivo e do consumidor.

Apesar da crise, não há fuga de capitais, o sistema financeiro está sólido, há uma imensa capacidade ociosa no setor produtivo pronto para ser acionado. E isso junta um cabedal de valor inestimável. O resto ainda vai exigir muita dor, suor e lágrimas, mas fica mais suportável do que o estado de calamidade em que o brasileiro vive hoje.

CONFIRA:

A cotação do dólar despencou e o Índice Bovespa disparou nesta quinta-feira, como reação ao processo de impeachment.

O Copom se prepara

Duas observações sobre a Ata do Copom divulgada nesta quinta-feira. O Banco Central deixou ainda mais claro que pretende apertar mais a política monetária (política de juros). Isso reforça sua posição de negar a existência da síndrome de dominância fiscal, que acontece quando os juros perdem tração. A outra observação vai na maior ênfase em admitir que a política fiscal não ajuda no combate à inflação.

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