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E agora, Temer?

O sucesso da Rio 2016 pode ser a força capaz de garantir nova arrancada em direção à reabilitação econômica

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 21h00

Ora, agora vem o inevitável. E, depois, encrencas econômicas a resolver.

Não há mais observador que espere por uma reviravolta e, por ela, o retorno da presidente afastada ao Palácio do Planalto. Em política, sempre podem acontecer imprevistos e imponderáveis, mas a probabilidade de rejeição do impeachment é muito baixa.

Isto posto, vai ser preciso dar posse ao presidente que deixará de ser interino e, em seguida, cobrá-lo por iniciativas destinadas a começar a entregar resultados.

A aprovação do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) dos gastos é a primeira providência que vai exigir enorme energia política. Será – ou não – a demonstração cabal da qualidade do apoio político obtido pelo governo Temer. Mas parece temerário pretender que a fixação de um teto equivalente à evolução da inflação do período anterior seja suficiente para virar o jogo. Fator decisivo será a recuperação da arrecadação do setor público que, na comparação de julho de 2016 com o mesmo período do ano passado, teve queda de 5,8%, descontada a inflação.

Para uma recuperação consistente da arrecadação serão necessárias três coisas: volta do crescimento do PIB; resgate da capacidade de consumo do brasileiro; e encaminhamento rápido e firme das reformas.

A volta do crescimento econômico não virá apenas porque o fundo do poço tem mola, como se passou a dizer, que é o poder de alavancagem exercido quase espontaneamente pela capacidade ociosa hoje próxima dos 30% no setor produtivo. Mas, também, do retorno da confiança no governo, que derreteu na administração Dilma.

O caminho mais rápido para a volta do investimento é a retomada firme dos leilões de concessão. Há abundância de capitais disponíveis no mundo e é enorme a disposição de empresas e administradores de patrimônio de canalizar recursos para o Brasil. Mas, para isso, serão necessárias regras firmes de jogo, livres dos preconceitos que prevaleceram durante os governos do PT, a revitalização das agências reguladoras e um retorno adequado aos concessionários.

A recuperação do consumo do brasileiro, que não é o mesmo que aumento da renda per capita, embora tenha relação com ele, depende do aumento do emprego e da redução do endividamento familiar produzido ao longo do primeiro período Dilma.

As reformas, por sua vez, precisam vir para que haja um mínimo de previsibilidade na economia. Entre elas, as mais urgentes são a da Previdência, a do setor tributário e a das leis trabalhistas. Se, por exemplo, o rombo da Previdência Social continuar se alargando ao ritmo atual, não haverá equilíbrio sustentável das contas públicas, porque exigirá adicional de R$ 50 bilhões por ano. Sem o reequilíbrio das contas públicas, o crescimento, a arrecadação e o futuro estarão sob forte risco.

O sucesso dos Jogos Olímpicos relembrou o brasileiro de que é capaz de administrar projetos complexos sob forte pressão e em situações desvantajosas. E essa pode ser a força capaz de garantir nova arrancada em direção à reabilitação econômica. A ver.

CONFIRA:

Nos gráficos, a evolução das projeções do câmbio e do PIB para 2017.

Sem mergulho

A tão falada tendência à valorização do real (baixa do dólar) não vai sendo confirmada pelas projeções dos analistas (em torno de cem), aferidas pela Pesquisa Focus, do Banco Central. Para o fim de 2016, o mercado prevê cotação de R$ 3,30 por dólar. E para o fim de 2017, R$ 3,45. Nesta segunda-feira, as cotações do câmbio fecharam a R$ 3,2013 por dólar. Para o PIB, o mercado trabalha com projeção inferior (+ 1,2%) à recalculada pelo governo (+ 1,6%).

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