''É cedo para declarar fim da crise''

Reunidos em Londres, ministros dos Brics também decidem cobrar maior participação no FMI e no Banco Mundial

Daniela Milanese, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Os países que compõem os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) querem a manutenção das políticas de estímulo econômico e avaliam que ainda não é o momento para desativar mecanismos de combate a crise.

Os maiores emergentes do mundo reuniram-se ontem, em Londres, como preparação para o encontro de hoje dos ministros de economia e presidentes de bancos centrais do G-20.

"É muito cedo para declarar o fim da crise", diz o comunicado divulgado pelos Brics. O grupo avalia que, apesar dos sinais de melhora, a economia global ainda enfrenta grandes incertezas, portanto a recuperação requer uma base mais sólida.

"Vamos continuar com as medidas anticíclicas em nossos países", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que presidiu a reunião.

O ministro da China, Xie Xuren, lembrou que o comércio internacional ainda está em queda e os desafios prosseguem. "A recuperação não está firmemente estabelecida."

Para o ministro da Rússia, Alexey Kudrin, é possível falar sobre estratégias de saída, mas não implementá-las agora. O país foi o que mais sofreu com a crise entre os Brics, ao registrar queda de 8,5% do PIB neste ano, abalado especialmente pela queda das receitas com o petróleo. "Em 2010, ainda precisaremos de medidas tangíveis para manter a demanda."

Segundo Mantega, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, concorda com a avaliação dos Brics. Ele participou do final da reunião do grupo para discutir formas de reforço do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas não tomou parte nas resoluções sobre o comunicado. Conforme Mantega, Geithner também acredita que é prematuro reverter agora os estímulos de combate à crise, que estão sendo responsáveis pela recuperação econômica.

Os Brics também concordaram em aportar US$ 80 bilhões no FMI e pressionam por uma redistribuição das cotas da instituição, de forma a refletir o novo poder econômico dos emergentes. Do total, US$ 50 bilhões já foram colocados pela China e os demais entrarão com US$ 10 bilhões cada.

O grupo está propondo para o G-20 a transferência de 7% das cotas dos países desenvolvidos no FMI e 6% da fatia no Banco Mundial para os emergentes. Segundo Mantega, o principal alvo é a participação dos europeus, que em sua avaliação estão "sobrerepresentados" no fundo atualmente, já que suas economias perderam importância relativa nos últimos anos.

Hoje, as nações desenvolvidas possuem representação de cerca de 60% nas instituições financeiras multilaterais e o objetivo dos Brics é que esse papel recue para 50%, de forma a refletir o novo poder econômico dos emergentes.

Os ministros também se manifestaram sobre o processo de escolha dos diretores do FMI e do Banco Mundial. "Nós reiteramos nosso apoio por um sistema de seleção aberto e baseado em méritos para administração do FMI e do Banco Mundial", diz o comunicado. "O próximo diretor geral do FMI e o próximo presidente do Banco Mundial deveriam ser eleitos assim, independente das suas nacionalidades ou de qualquer preferência geográfica."

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