JOSÉ MARIA TOMAZELA/ESTADÃO
JOSÉ MARIA TOMAZELA/ESTADÃO

'É claro que tenho medo do futuro', diz estudante que enfrenta dificuldades

Aos 24 anos, Luana teve de abandonar a faculdade de Direito e hoje vende roupas

José Maria Tomazela, correspondente, Carmem Pompeu e Mônica Bernardes, especiais para O Estado

07 Março 2018 | 21h11

Aos 21 anos, Débora Supino faz bijuterias, em Sorocaba, para pagar o curso de Pedagogia. Melissa Duarte, de 26, está a procura de emprego, em Recife, para retomar o curso de Odontologia, interrompido depois de três anos de estudos. Na mesma cidade, Denilson Arruda, de 19, se vira com bicos de fotógrafo, enquanto espera por um financiamento estudantil para estudar Jornalismo. Em Fortaleza, Luana Andrade, de 24, vende roupas e cuida da avó desde que abandonou a faculdade de Direito.

São histórias que se repetem pelo País e que se somam a de 25 milhões de jovens brasileiros que, segundo relatório do Banco Mundial divulgado nesta quarta-feira, 7, estão às margens da economia, sem condições de ter uma formação profissional de qualidade, que lhes garanta um bom emprego.

“Claro que tenho medo do futuro”, diz Luana. “Quero ter filhos, formar uma família e não sei como vou garantir o sustento deles sem ter uma profissão definida.” Hoje, além de vender roupas em redes sociais, ela sobrevive com a pensão da avó.

Para Débora Supino, a saída foi fazer uma jornada dupla, já que os pais não podem ajudá-la a pagar a faculdade de Pedagogia. Cursando o último semestre do curso, ela faz estágio numa escola de educação infantil e trabalha informalmente em um ateliê de acessórios femininos. “Foi o que me livrou de trancar o curso.” Ainda assim, tem dificuldades para pagar as mensalidades em dia.

++ Abertura comercial tiraria 6 milhões de brasileiros da pobreza, diz Banco Mundial

Melissa não conseguiu escapar. Depois que a mãe ficou desempregada, ficou impossível, mesmo com uma bolsa parcial, bancar o valor do curso de Odontologia, além dos custos com livros e material de laboratório. Está com uma dívida de R$ 5,6 mil das últimas parcelas. “Como as aulas são durante todo o dia não tenho como trabalhar e ganhar algum dinheiro para ajudar. O jeito foi trancar”, conta. Agora, ela está em busca de um emprego para juntar dinheiro e retomar a faculdade.

Denilson, que sonha em ser jornalista, está numa fase anterior, à espera de uma bolsa para saber se conseguirá pagar a mensalidade do curso. “Dependo disso para saber se vai dar, ou não. Tudo é muito caro e meus pais não têm condições de pagar, por isso é minha obrigação buscar uma fonte de renda para pagar meus estudos”, disse.

++ Política do salário mínimo pode ter efeitos negativos no mercado de trabalho, alerta Banco Mundial

“Enquanto espero, tenho feito um pouco de tudo para garantir um dinheirinho para poder comprar os livros, pagar as passagens e as outras despesas com a faculdade.”A mensalidade para o curso escolhido, nas duas instituições em que o jovem tenta uma bolsa, varia de R$ 1,4 mil a R$ 1,6 mil. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.