''É como classificar para a Copa''

Entrevista - Paulo Leme: diretor da Goldman Sachs; Para economista, aumento do superávit primário pode acelerar grau de investimento pela Moody?s

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

O eventual aumento do superávit primário pode acelerar a concessão de grau de investimento pela Moody?s, única das grandes agências que ainda não promoveu o Brasil àquele nível. A opinião é de Paulo Leme, diretor de mercados emergentes do Goldman Sachs.O grau de investimento pela S&P e pela Fitch, este concedido ontem, é merecido?Sem dúvida. O Brasil tem equilíbrio externo, fez pré-pagamento da dívida, tem muitas reservas. Mesmo mantendo os gastos elevados, o superávit primário vem supreendendo por causa do comportamento da receita, e a relação entre a dívida pública e PIB continua a cair. O compromisso do presidente Lula com a estabilidade macroeconômica é muito sério, e o fato de o Brasil ter enfrentado de maneira muito sólida toda essa turbulência internacional confirma a sua elegilibidade para grau de investimento. O sr. acha que a Moody?s, uma das agências mais importantes de rating, também dará o grau de investimento ao Brasil em breve?No seu último relatório, há cerca de um mês, a Moody?s não deu sinal algum de propensão a um upgrade ao Brasil, e levantou dúvidas importantes quanto ao tamanho ainda elevado da dívida pública e a composição, muito concentrada no curto prazo. Ela apontou ainda a necessidade de um superávit primário maior para reduzir a dívida mais rapidamente e a rigidez do gasto publico e o aumento expressivo do gasto corrente nos três últimos anos. Então, não parece que a Moody?s esteja inclinada ao upgrade neste ano.Haveria como acelerar esse processo?Sim, caso essas idéias que estão nos corredores de Brasília, de aumentar o superávit primário e reduzir a dívida mais rápido sejam efetivadas. Isso ajudaria muito com a inflação e aceleraria o cronograma do grau de investimento.O que muda com o grau de investimento para o Brasil?É como classificar para a Copa do Mundo. Agora chegou a hora de jogar e ganhar. O País precisa retomar as reformas estruturais. Se não fizermos nada e deitarmos nos louros, não acredito que haverá uma grande diferença em termos de atrair maior volume de capitais de alta qualidade, como os do investimento direto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.