?É concebível? que Brasil não precise renovar acordo, diz FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Inetrnacional (FMI), Horst Koehler, afirmou hoje que "é concebível" que o Brasil possa manter a estabilidade "sem um acordo sucessor" do que tem atualmente com o Fundo, previsto para terminar no fim do ano. A declaração de Koehler, feita durante um café da manhã com jornalistas, é a primeira na qual o Fundo coloca explicitamente a não renovação do acordo como uma das opções do relacionamento futuro do Brasil com a instituição. Até agora, o Fundo havia se limitado a dizer que está aberto a considerar as alternativas que as autoridades brasileiras estiverem interessadas em discutir. "A administração do presidente Lula construiu rapidamente sua credibilidade e é concebível que eles (não precisem) de um acordo sucessor", afirmou Koehler. A declaração foi feita exatamente no dia em que O Estado publica a informação de que o país já sonda o Fundo sobre um novo acordo, e no mesmo dia em que o senador Aloizio Mercadante, líder do governo no Senado, confirma essa informação.?O crescimento se fortalecerá?Perguntado se acha que o Brasil está fora de perigo, ele disse que "há alguns problemas, como a pobreza, que duram mais do que nove meses". Mas foi positivo sobre as perspectivas da economia brasileiro. "Tenho a impressão positiva de que o crescimento se fortalecerá", disse.As consultas sobre a necessidade ou conveniência de renovar o acordo entre o Brasil e o FMI começaram durante o encontro que Koehler teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 20 de junho passado, durante a vista de trabalho do líder brasileiro a Washington. O assunto divide o governo, o mercado financeiro e os especialistas em finananças internacionais. John Williamson, o mentor do "Consenso de Washington", e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, por exemplo, estão entre os que já se pronunciaram contra a renovação. As conversas sobre o assunto serão retomadas durante o encontro que o minitro da Fazenda, Antonio Palocci, terá com Koehler durante a reunião anual do FMI, semana que vem, no emirado árabe de Dubai.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2003 | 13h04

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