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`É criminoso e irresponsável´ o fim de Doha, diz Mandelson

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, declarou em entrevista exclusiva ao Estado que o fracasso da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), cujo foco está na promoção do desenvolvimento, seria "próximo a uma atitude criminosa e profundamente irresponsável".Mandelson desembarcou neste sábado no Rio de Janeiro com a missão de manter encontros bilaterais em nível ministerial, inclusive com os Estados Unidos, e de expressar ao G-20, o grupo de economias em desenvolvimento que insiste em resultados mais ambiciosos na negociação agrícola, o compromisso da União Européia de concluir a Rodada, suspensa desde julho último."Este encontro tem um propósito forte. Eu estou aqui para dizer que a Europa vai fazer tudo o que for possível para que os países em desenvolvimento mantenham sua postura em favor da continuação da Rodada", afirmou.Mandelson afirmou que o segundo recado da União Européia ao G-20 será a reafirmação de sua oferta sobre acesso a mercados, apesar de os Estados Unidos e outros parceiros da OMC não terem feito propostas "à altura" da feita pelo bloco europeu.A mais recente, feita em julho passado, previa o corte médio de tarifas agrícolas de 51,5%. Mas ainda aguarda uma atitude mais pró-ativa dos americanos sobre os cortes nos subsídios domésticos. A União Européia também pretende convencer o grupo dos países menos desenvolvidos (LDC), no encontro do Rio, que a conclusão da Rodada será particularmente importante para suas economias.Os LDCs, alertou Mandelson, já conseguiram nessa negociação, entre outros, alguns benefícios que seriam perdidos se a Rodada Doha não for concluída, como a isenção de tarifas de importação e de cotas para seus embarques de produtos agrícolas ao mundo desenvolvido.LógicaMandelson afirmou-se contente por saber que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se mostra tão confiante em relação a retomada e a conclusão da Rodada - especialmente com a apresentação de uma nova proposta americana, o nó que levou à suspensão das negociações. "A lógica indica que os Estados Unidos vão melhorar sua oferta de corte de subsídios domésticos à agricultura não só pelo compromisso com a Rodada, mas também por causa da necessidade interna de reformar sua política agrícola. Referiu-se ao peso orçamentário das subvenções", opinou. Porém, destacou que a redução dos subsídios americanos não é o único nó da Rodada, mas apenas o dilema que existe neste momento.O comissário argumentou que a União Européia já fez a reforma de sua política agrícola, em 2003, a implementou nos últimos anos e poderá ir além. Porém, assinalou que esse processo foi "muito doloroso" porque envolveu perdas de renda e de empregos e teve um custo em termos das condições de vida da população rural da Europa."Gerenciar isso, politicamente, não é fácil. Eu entendo a posição dos Estados Unidos. Mas não há nenhuma alternativa à reforma", declarou. "Não podemos sustentar um sistema internacional de comércio com distorções tão grosseiras através de subsídios e barreiras tarifárias que, simplesmente, são altas demais. Não é certo, sustentável, justificável, nem eqüitativo."

Agencia Estado,

10 de setembro de 2006 | 00h00

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