Marcos Arcoverde/Estadão
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‘É difícil crescer muito em 2017’

Economista vê cenário adverso para queda da inflação e dos juros; crescimento depende de retomada dos serviços

Entrevista com

Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Ibre-FGV

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2016 | 05h00

Para Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o caminho para a retomada econômica do País será lento e árduo. “É difícil o PIB crescer o que o mercado está esperando no ano que vem”, afirma. O desafio, diz o economista, está na recuperação dos serviços, que dependem da melhora no crédito e no mercado de trabalho. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Na sua avaliação, há um excesso de otimismo no mercado?

Eu acredito que as projeções de mercado estão sim otimistas. É difícil o PIB crescer o que o mercado está esperando no ano que vem. A nossa previsão de crescimento para 2017 é de 0,6%, que é a metade do que se espera. Acredito que o mercado está otimista não só em relação ao PIB, como também com a capacidade de a inflação cair e ao mesmo tempo os juros reduzirem na velocidade que se prevê. Há ainda muita resistência da inflação e, por isso, os juros devem cair num ritmo bem mais devagar do que o mercado espera.

Quando devemos ver o início de uma retomada efetiva na atividade econômica?

A produção industrial, por exemplo, deve recuperar um pouco da queda já no dado de setembro. Um fator importante é que, mesmo que seja pequeno, um crescimento de 0,6% no PIB é muito melhor do que uma queda de 3,3%, que é o que projetamos para este ano. Então, por essa perspectiva, as coisas vão sim melhorar, mas talvez num ritmo mais lento do que se espera.

Qual o papel da aprovação de medidas como a PEC do teto dos gastos e a reforma da Previdência?

Eu não duvido que, se nesta semana a PEC do teto for aprovada por uma maioria muito grande, tenhamos uma nova rodada de valorização de preços de ativos, induzindo novamente a confiança. Se você aprovar o teto e encaminhar bem a reforma da Previdência, ainda que ela não seja concluída este ano, você pode ter uma nova valorização do real, com o dólar caindo – o que pode facilitar um cenário mais parecido com aquele que o mercado espera. Isso porque o real valorizado ajuda a segurar a inflação, e aí o Banco Central deve reduzir os juros mais rapidamente, o que ajuda a economia a acelerar.

A valorização do real, por outro lado, não prejudicaria a indústria, que é uma das apostas para a retomada da economia?

A exportação está difícil porque o comércio internacional está crescendo muito devagar. Ninguém está comprando, e isso é parte do problema. Agora, a indústria tem também um entrave de competitividade sério. Ela vem caindo há anos. Então, o problema não é meramente uma questão de câmbio. A indústria pode ser um canal de retomada, mas quem define o PIB são os serviços. O PIB vai crescer quando houver uma recuperação dos serviços, que representam quase 70% dele. Essa é justamente uma das razões pelas quais a gente acha que é difícil crescer muito em 2017. Isso possivelmente vai exigir uma melhora no mercado de trabalho e um pouco de crédito fluindo novamente para haver um comércio mais intenso. E é um desafio grande, porque os fundamentos dos serviços, mercado de trabalho e crédito, estão ruins. Então vai ser difícil você expandir esse setor. 

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