É difícil ver o que mais Fraga poderá fazer, diz The Economist

A revista The Economist, em sua edição desta semana, analisa a situação da economia brasileira e afirma que ?o tempo está acabando e está difícil ver o que mais Armínio Fraga, presidente do Banco Central, poderá tentar fazer". Segundo a publicação britânica, o BC "já está queimando as reservas em moeda estrangeira tão rapidamente que em dezembro elas poderão atingir o piso mínimo que o Brasil acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI)". Sobre a possibilidade de novo aumento da taxa de juros, a revista salienta que cada elevação percentual da Selic adiciona 0,3% do PIB aos juros pagos pelo governo, tornando a carga da dívida ainda menos suportável. Deixar o real cair "faria com que o custo da dívida do governo atrelada ao dólar, que hoje representa a metade da dívida total, crescesse". Com isso, a inflação também aumentaria. Segundo a The Economist, a meta inflacionária para 2003 de 6,5% já "parece um desafio". Bônus atrelados ao dólarA revista afirma que os investidores ainda dispostos a emprestar ao Brasil querem se proteger dos preços em alta. Com isso, o governo está emitindo mais títulos ligados à inflação. "Parte do motivo que o governo chegou à presente bagunça é que ele alimentou o voraz apetite do mercado por bônus atrelados ao dólar", diz a revista. "Ele pensou que oferecendo esse hedge contra a desvalorização ajudaria a moeda a se recuperar."Como o real continuou caindo, o governo continuou emitindo bônus atrelados à moeda norte-americana, mas acumulando crescentes perdas com eles, afirma a revista. "Agora imagine ele emitindo bônus ligados à inflação mas vendo que as preocupações com as dívidas continuam a enfraquecer o real, alimentando a inflação e elevando os custos da dívida." A Economist observa que alguns analistas estão avaliando se uma reestruturação da dívida será inevitável. "Isso seria irônico, pois foram necessárias três tentativas frustradas para chegar à Presidência para fazer Luiz Inácio Lula da Silva renunciar a qualquer medida mais radical e agora ele poderá chegar ao poder e imediatamente ser forçado a reestruturar a dívida", disse a revista. Segundo a revista, as instituições políticas e financeiras do Brasil são mais fortes do que as da Argentina e por isso os resultados de uma reestruturação poderia não ser tão "horríveis como aqueles que sucederam a moratória argentina". "Mesmo assim, elas ainda seria dolorosa", afirmou a revista. "Lula precisa fazer tudo que puder para evitar um desastre como esse."

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