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É dinheiro chegando

O forte dos analistas econômicos nunca foi acertar suas previsões. Mas, nas projeções sobre o Investimento Estrangeiro Direto (IED) deste ano, revelaram-se um fracasso retumbante.Em agosto, o Banco Central avançara que o IED deste ano seria de US$ 25 bilhões. Um pouco mais otimista, o mercado, auscultado pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus, apostava num IED de US$ 28 bilhões. Ontem as estatísticas do Banco Central mostraram que essas projeções foram desmoralizadas. Em 12 meses (até agosto), apresentaram um IED recorde de US$ 35,1 bilhões e, nos 8 primeiros meses do ano, de US$ 26,5 bilhões. Esses números obrigaram o Banco Central a corrigir suas estimativas . Para este ano, espera agora US$ 32 bilhões, admitindo, assim, um erro de 28%. Segunda-feira saberemos se o mercado terá feito o mesmo.Até agora, poucos comentaristas haviam apontado o IED como um dos fatores importantes na trajetória de valorização do real (queda da cotação do dólar). Ou a atribuíam à exuberância das exportações ou aos juros altos, que estariam atraindo capitais especulativos. Mas a entrada de investimentos estrangeiros está chegando perto do superávit comercial (exportações menos importações), que, para este ano, está projetado pelo Banco Central em US$ 40 bilhões e pelo mercado, em US$ 42 bilhões (Pesquisa Focus). Já não dá para menosprezar o impacto dessa entrada de capitais, que nada tem a ver com especulação ou com arbitragem com juros. Sem ter de espremer demais os miolos, dá para elencar alguns fatores que deverão continuar a trazer capitais de investimento no curto prazo. O primeiro é a já conhecida abundância de capitais pelo mundo, agora reforçada pela derrubada dos juros básicos nos Estados Unidos. É uma dinheirama ávida por aplicações de risco num universo de relativa escassez de oportunidades. O Brasil está sendo percebido como uma nova potência econômica com baixa vulnerabilidade a crises, como se viu ao longo das turbulências que se seguiram ao estouro da bolha do crédito imobiliário de alto risco (subprime).A proximidade da promoção do País na tabela de classificação de risco para grau de investimento contribuirá não só para lançar o holofote sobre a economia, como também para estimular novas aplicações de risco por aqui. Para isso deverá também contribuir a percepção de que o Brasil dobrou o crescimento do seu PIB, da faixa de 2% (ao longo de 15 anos até 2005) para a de 4,5% ou 5,0%. E há a força dos biocombustíveis. Como os preços do petróleo teimam em ficar acima dos US$ 75 por barril, a idéia de que o etanol brasileiro é o sucedâneo para a gasolina deverá intensificar os investimentos estrangeiros na área, como já vem fazendo o financista George Soros e já anunciaram que farão os criadores do Google, Larry Page e Sergey Brin.Enfim, os sempre preocupados com o excesso da chegada de capitais não demorarão a pedir que o governo crie um controle de investimentos estrangeiros.

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