É época de dar feno e silagem para o gado

Pastagens já não dão conta, sozinhas, de alimentar os animais neste período mais seco do ano

Ana Maria de H. de Ávila, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Uma massa de ar seco predominou durante a semana, mantendo o tempo estável, com sol, no Estado. As temperaturas, um pouco mais baixas, com grandes amplitudes térmicas diárias, foram aumentando gradualmente no fim de semana, com máximas típicas de verão: 33,8 graus em Ilha Solteira, 31,8 graus em Presidente Prudente, 30,3 graus em Piracicaba e 30,6 graus em Jaboticabal.

A umidade do solo continuou em queda, atingindo níveis críticos, abaixo de 20% da capacidade máxima de armazenamento em Barretos, Ilha Solteira, Votuporanga, Jaboticabal e Jaú. Com a temperatura mais elevada, aumentou a demanda hídrica, com a taxa de evapotranspiração média diária de 2 milímetros.

O clima favoreceu a colheita e transporte de cana-de-açúcar. Com a expectativa de safra reduzida este ano, os preços do etanol continuam em alta, pouco menores que os preços pagos no período da entressafra. A necessidade de renovação do canavial, a estiagem do ano passado e a redução das chuvas em maio, sobretudo nas localidades Ribeirão Preto, Araçatuba, São José do Rio Preto e Votuporanga resultaram em menor quantidade de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) e o resultado é cana com menor produtividade. Além do mais, em algumas localidades, como em Piracicaba, os temporais com ventos fortes derrubaram os canaviais e, para não perder, os produtores estão colhendo essa cana antes do tempo, sem atingir a maturação.

Tempo seco com baixa umidade do ar favoreceu a colheita e transporte do café, com boas condições para a secagem dos grãos em todo o Estado. A chuva proporcionou a uniformidade da florada na segunda metade do ano passado e depois manteve a planta com maior vigor vegetativo durante o verão, o que resulta numa safra de boa qualidade. A expectativa de boa produtividade e os bons preços pagos, especialmente pelo produto de melhor qualidade, anima os produtores.

A combinação de dias frios e estiagem interferem diretamente nas pastagens, o que dificulta a manutenção do gado no pasto e reduz a produção de leite. Para lidar com essa situação, os produtores precisam se mobilizar, utilizando alimentação completar como feno silagem e farelo. Nesta época, diminui a produção de leite e os custos com a alimentação do gado aumentam com isso a tendência de aumento do preço pago pelo litro do leite. Com a menor oferta de boi gordo disponível para o abate, a arroba do boi voltou a subir. O tempo favoreceu a extração do látex. A demanda alta do produto proporciona um aumento do preço pago aos produtores. Além do mais, o clima favoreceu os seringais, com menos ataque de pragas e doenças e a produtividade aumentou. Mesmo assim, não é suficiente para atender à demanda.

ANA MARIA H. DE ÁVILA É PESQUISADORA DO CEPAGRI/UNICAMP. MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TEMPO E CLIMA, WWW.AGRITEMPO.GOV.BR

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