É hora de fazer

A capacidade de investir em inovação cresceu muito com o Plano Inovar Empresa que foi lançado em março com R$ 32,9 bi em recursos

Marco Antonio Raupp *,

05 de junho de 2013 | 15h26

Passamos os últimos anos discutindo a importância da inovação para a competitividade de nossas empresas e, por consequência, da economia brasileira.

Essa discussão precisa avançar, no sentido de se transformar em ações concretas e abrangentes.

O Brasil acumula experiências modelares em inovação (vide os reconhecidos exemplos da Embraer, Embrapa e Petrobrás), nossas empresas já sabem do caráter estratégico das atividades inovativas, e um amplo espectro de nossas lideranças (empresariais, acadêmicas, políticas, sindicais, militares etc.) tem consciência da importância da inovação para o desenvolvimento do País.

Portanto, já passamos da hora de somente discutir inovação. A hora, agora, é de fazer inovação, de aumentarmos de maneira significativa e rápida nossa capacidade de gerar inovações para o mercado. Foi com esse espírito pragmático que a presidente Dilma Rousseff liderou a elaboração do Plano Inova Empresa, que ela mesma lançou em meados de março, no valor total de R$ 32,9 bilhões. Esse volume de recursos realça a convicção do governo federal de que a inovação é indispensável para o Brasil e expõe o entendimento de que o setor público está disposto a partilhar com as empresas os riscos da inovação.

Com o Plano Inova Empresa elevou-se substancialmente o patamar do investimento à inovação em nosso País. São mais recursos para crédito, com juros subsidiados; mais recursos para subvenção econômica à inovação, e também para projetos em parceira entre empresas e instituições de ciência e tecnologia. Ainda mais, há disposição do governo em aumentar sua participação acionária em empresas inovadoras.

A Finep já abriu editais dentro do Plano Inova Empresa em várias áreas: aeroespacial e defesa; cadeia agropecuária; nanotecnologia; biotecnologia; TICs; construção sustentável e saneamento ambiental; energias renováveis; e saúde.

Além desse esforço explícito e direto do governo em incrementar as atividades inovativas nas empresas, há outros elementos que reforçam a existência de um ambiente francamente favorável à inovação em nosso País.

Por exemplo, as agendas de inovação do governo, das entidades do setor industrial e das instituições de ciência e tecnologia têm objetivos comuns. Essa coincidência, não casual, é de extrema relevância, pois nos colocamos todos no mesmo barco, remando na mesma direção.

Um capítulo de destaque nessa agenda comum entre setor industrial, governo e ICTs, é a nossa Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, a Embrapii, que está em fase de registro nas repartições públicas competentes e deverá entrar em operação nos próximos meses.

Ao aliar a demanda empresarial com a capacidade de nossas instituições de pesquisa, o papel da Embrapii será trabalhar para a inovação no setor industrial. Para isso, a governança da Embrapii seguirá padrões da iniciativa privada e seu desempenho será permanentemente avaliado e aprimorado.

Outro ponto de destaque se refere à formação de recursos humanos, área em que o programa Ciência sem Fronteiras será uma alavanca para o esforço inovador de nossas empresas: 23 mil bolsas já foram concedidas e, até o final do ano, chegaremos a 40 mil bolsistas no exterior.

Como o interesse das empresas no Ciência sem Fronteiras vem crescendo cada vez mais, recentemente promovemos mais um aperfeiçoamento no programa. Colocamos no ar o Portal de Estágios e Empregos, para promover o diálogo entre empresas e os egressos do programa. Ou seja, o portal vai facilitar que as empresas interessadas possam absorver em seus quadros, rapidamente, os estudantes que estão voltando do exterior.

Por fim, apresento mais um dado inexorável da disposição do governo federal em colocar a tríade ciência, tecnologia e inovação como eixo do desenvolvimento sustentado do Brasil: o MCTI é um dos quatro ministérios (junto com Educação, Saúde e Desenvolvimento Social) que ficaram fora do contingenciamento no orçamento federal deste ano.

Somadas aos incentivos fiscais à inovação da Lei do Bem, as iniciativas aqui relatadas deixam clara a disposição do governo federal em dar um impulso vigoroso e definitivo na inovação no Brasil. Como a inovação ocorre nas empresas, cabe a elas fazer um esforço correspondente.

* É MINISTRO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

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