É hora de flexibilizar metas de inflação, diz economista

O economista Carlos Thadeu de Freitas, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) acredita que chegou a hora de o Banco Central (BC) flexibilizar um pouco mais as metas de inflação, para possibilitar uma maior redução da taxa de juros. "A economia brasileira está indo muito bem, a área externa perfeita, a economia crescendo em muitas áreas", avaliou Thadeu de Freitas durante entrevista ao Conta Corrente, da GloboNews. "Agora, nós temos um problema, que é a dívida pública interna. E cada vez que o Banco Central mantém os juros altos, aumenta mais a dívida."Thadeu de Freitas avalia que o BC teria espaço para afrouxar um pouco mais as metas de inflação, além de ter a possibilidade de estabelecer um prazo maior para que elas fossem atingidas. "As metas de inflação no Brasil são muito rígidas e metas curtas. O que está precisando agora é um ajuste fino: flexibilizar um pouco dando um sistema de metas com prazo mais longo e também dando ao BC espaço para não ficar o tempo todo sendo julgado pelo mercado", sugeriu o economista. "Muitas vezes, o BC mantém os juros altos porque tem de manter a sua credibilidade. Mas quando ele sobe a taxa de juros, porque a meta de inflação pede isso hoje, isso é um tiro no pé."Credibilidade tem custo altoEle sugeriu que o BC até poderia manter metas ambiciosas de inflação, desde que com um prazo maior para que ela fosse alcançada. "As metas de inflação são muito rígidas e num prazo muito curto. Se fosse para os próximos 24 meses, não teria problema nenhum. Mas ter uma meta de inflação para os próximos 12 meses amarra muito o Banco Central", ponderou o economista do Ibmec. Freitas explicou que ao estabelecer metas muito ambiciosas o BC é obrigado pelo mercado a mostrar credibilidade a todo momento. "Credibilidade, reputação, esse é o ponto. Qual é o preço que nós estamos pagando por isso? Taxas de juros muito elevadas."

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