Hélvio Romero/Estadão
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É hora de investir em fundos imobiliários?

Previsões de crescimento do setor animam, mas há riscos que precisam ser considerados

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 05h00

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) chamam novamente atenção por conta do otimismo que analistas especializados no setor imobiliário têm manifestado e da entrada no mercado de novos investidores no segmento. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) faz uma previsão de crescimento entre 5% e 10% para o mercado imobiliário em 2021 frente a 2020.

As preocupações continuam em relação aos custos e risco de desabastecimento de materiais. Outro dado é que no mês de fevereiro houve recorde de pessoas físicas com posição em custódia em FIIs, sendo o número de 1,2 milhão de investidores, com 68,2% de participação nos R$ 5,3 bilhões negociados no mês, segundo dados da B3. O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários da B3 (IFIX), composto por 87 FII, no ano de 2021 (até março) está com queda de 0,72%, mas nos 12 meses acumula alta de 14,14%, pouco comparado com o Ibovespa, que nesse período cresceu quase 60%.

No entanto, o investidor interessado em FII tem de ter em mente que a visão de curto prazo não permite uma decisão firme de compra ou venda, particularmente neste setor que tem um prazo de realização maior. As decisões sobre empreendimentos tomadas hoje irão refletir no caixa anos depois. 

Os tipos de FII são: A) Fundos de tijolo: investem em imóveis destinados a fins comerciais ou residenciais. B) Fundos de papel: alocam a maioria dos recursos em títulos com lastro no mercado imobiliário, tais como cotas de outros FIIs, letra de crédito imobiliário (LCI), certificado de recebíveis imobiliários (CRI), ações de companhias do setor imobiliário etc. C) Fundos de fundos: investem em de cotas de outros FII (hoje são 35 na B3). Recentemente, abriu-se a possibilidade de investir por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) em 20 Real Estate Investment Trust (Reit), que são empresas de capital aberto que possuem ou financiam imóveis geradores de renda nos EUA.

O retorno do investimento em FIIs ocorre pelo potencial ganho de capital com a valorização do empreendimento e por meio da distribuição de resultados do fundo (por exemplo, os aluguéis recebidos em um shopping center). Lembrando que FIIs são fechados, têm suas cotas negociadas em bolsa. No caso de pessoas físicas, há um importante benefício: a rentabilidade mensal é isenta de imposto de renda. Os interessados devem acompanhar a evolução dos mais de 353 FIIs listados na B3 antes de dar uma ordem de compra. É importante verificar no que exatamente o fundo está investindo. Há fundos com bastante dinheiro em caixa aguardando oportunidades. Alguns fundos, particularmente os de tijolo, têm baixa diversificação.

Uma dica é entrar no site e acompanhar o chat de conversas entre os participantes. Algumas delas podem evitar que você entre numa fria. 

PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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