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'É importante estar junto com a equipe'

Executivo mexicano dirige filial brasileira de seguradora com o desafio levar empresa ao posto de quinta maior operação no mundo

Entrevista com

EDILAINE FELIX , O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h22

O mexicano Jaime Calvo é o atual CEO da AIG Brasil. Aos 57 anos de idade, depois de ter passado por outros países da América do Sul, conquistado prêmios nacionais e internacionais no segmento de seguros, ele assumiu a operação brasileira em 2012, com o desafio de crescer em escala e fazer da operação no Brasil a quinta maior da AIG no mundo. O executivo é formado em engenharia civil pelo Instituto Politécnico Nacional no México e possui pós-graduação em gestão pelo Inalde Business School na Colômbia. A seguir, trechos da entrevista.

Você se formou em engenharia civil, como chegou na área de seguros?

Quando eu me formei em engenharia civil, eu já trabalhava no setor de seguros na Associação Mexicana das Instituição de Seguros. Os meus amigos da universidade diziam que, sem começar, eu já havia terminado a carreira de engenheiro. Aqueles não eram bons anos para se trabalhar com seguros, era outra realidade. Meu trabalho na companhia era mapear os edifícios, as indústrias e analisar as tarifas de descontos que as seguradoras propunham para as empresas.

Então a sua primeira experiência na vida profissional foi no mercado segurador, e não no de engenharia civil?

Sim. Fiquei dois anos nessa empresa e, depois, saí para atuar na construção civil. Eu dizia para mim: eu sou engenheiro, eu tenho de construir, tenho de ter experiência na minha área de formação. E fui trabalhar como engenheiro. Eu fiquei três anos em uma empresa de construção civil e depois comecei a combinar o trabalho de engenheiro civil com o mercado segurador. Hoje, depois de anos atuando na gestão de empresas, sei que ter trabalhado na construção civil foi importante, foi uma forma de ver diferentes áreas, conhecer preços do mercado e concorrência. Isso aconteceu de 1981 a 1988 no México.

Foi nesse momento que você percebeu que queria mesmo atuar no setor de seguros?

Ainda quando eu trabalhava na Associação Mexicana das Instituição de Seguros, eu falei para meu chefe que mudaria de área, que trabalharia na minha área de formação, a engenharia. Ele perguntou se eu não havia decidido fazer carreira no setor de seguros. Nessa fase, eu já liderava uma equipe de engenheiros e analistas. Mas, naquela época eu não entendi a dimensão da pergunta dele. O setor de seguros é muito nobre e promissor para fazer relacionamentos e contatos, para adquirir experiência de trabalhar, para viajar, interagir com empresas, com pessoas e trabalhar com serviços.

Quando você viveu sua a primeira experiência profissional fora do México?

Quando fui trabalhar na AIG (American International Group) em 1988. Foi lá que eu tive a oportunidade de trabalhar na fronteira dos Estados Unidos e México, foi minha primeira experiência bicultural por quatro anos. Depois voltei para a Cidade do México, onde tive experiência nos departamentos de distribuição e com as sucursais. Fui transferido para a Colômbia como gerente geral, onde fiquei por três anos. Foi uma fase de experiências novas com muitos desafios, com problemas de segurança e guerrilha. Era difícil fazer negócio no local, mesmo assim, com as adversidades, conseguimos crescer na região. Depois fui transferido para a Argentina e fiquei lá por mais oito anos.

Quais foram os desafios enfrentados na Argentina?

Na Argentina, foram muitas atividades, seguros comerciais, de consumo. No país, eu recebi os meus primeiros prêmios de reconhecimento interno e externo pelo trabalho realizado. Conquistei prêmios nacionais e latino-americanos de telemarketing. Por dois anos consecutivos, fomos consideradas a melhor companhia de seguro da Argentina, em inovação, em produtos e em preços. De 2005 a 2011, eu recebi sete prêmios locais e internacionais que reconhecem as melhores práticas, processo e técnica no segmento de seguros. Depois do trabalho realizado, eu fui responsável pelas atividades dos processos de vendas e operação da companhia na América do Sul.

Você assumiu a operação da AIG Brasil em 2012. Como reagiu ao convite?

No ano passado, ligaram para mim e disseram que eu deveria vir para o Brasil. Em um primeiro momento, eu tive dúvidas. Eu não falava português. Era um desafio grande, pois era um País importante para o mercado segurador, com as melhores oportunidades de crescimento e de oferta e também com possibilidade de dar estabilidade aos negócios e as empresas no longo prazo.

As oportunidades de desenvolvimento de um novo mercado foram relevantes para aceitar o convite e vir para o Brasil?

No ano de 2009, a operação começou do zero no Brasil. O meu desafio ao chegar aqui foi a construção total da operação. Começamos com 12 colaboradores, agora temos 500 funcionários e quatro sucursais. Hoje temos área de distribuição, departamento técnico e comercial, lançamentos de produtos inovadores nas linhas de consumo, com extensão de garantia e seguro viagem. E, para o próximo ano, vamos lançar os produtos e seguro de automóvel, que é muito importante para que possamos dar toda atenção às necessidades dos segurados.

Você está no mercado de seguros há 25 anos. O que é possível destacar das mudanças ocorridas neste setor?

Os canais de distribuição mudaram bastante nesse período. Mas ainda é preciso melhorar em tecnologia, ter mais profissionalismo, maior conhecimento da área e uma distribuição mais massiva. No mercado de seguros, há os grandes e os pequenos negócios, e é preciso ter uma distribuição mais abrangente em estrutura e volume.

O que aprendeu nessas experiências como líder?

Uma primeira liderança é importante para aprender a tomar decisões, a ser exemplo para os colaboradores, além de melhorar as operações com mais responsabilidade. Também é preciso ter ação e criatividade, treinar e ter funções que não tenham nos concorrentes. Eu procurei crescer como generalista e ter uma visão global de todas as oportunidades e problemas na operação. Também é importante estar junto com a equipe. Sozinho não podemos ter uma boa carreira, um bom trabalho.

O que não pode faltar em sua gestão como CEO?

Ambição de sucesso, trabalho de equipe e novos desafios.

Você leva para sua equipe esse espírito. Ter ambição e querer novos desafios?

Sim. Há operações que precisam ter desafios e mudanças. Em minha experiência, tenho projetos para a tomada de decisões, para os próximos passos, em relação aos novos clientes e o crescimento da operação. O mercado segurador é um ramo muito bom, nobre, que precisa de talento, criatividade, inovação e de gente comprometida com os projetos.

Quais são os próximos desafios de sua carreira?

Ter uma equipe de profissionais mais bem treinados e ter um crescimento de escala no País. Ainda somos pequenos, mas temos apoio da nossa corporação para crescer no Brasil e ser, dentro da companhia, a quinta maior operação da AIG no mundo. Tenho um prazo de cinco anos para desenvolver um projeto de fazer a AIG Brasil a quinta maior operação da AIG no mundo.

Como está sendo sua adaptação ao Brasil?

Eu já conhecia o País de convenções regionais, e foi um orgulho ser convidado para dirigir esse projeto. Estou comprometido com o projeto, que é desafiador, exige bastante de um gestor, com muita exposição para o mercado em geral e para a corporação. Eu dou muita importância para mostrar esse valor para os nossos acionistas. A AIG está fazendo coisas importantes pelo mundo.

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