Sérgio Castro|Estadão
Sérgio Castro|Estadão

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

‘É melhor pingar do que secar'

Pressionada por alta de custos, choperia corta preço da bebida para tentar atrair clientes

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2016 | 05h00

Embora a indexação de preços seja um obstáculo para que a inflação perca força mais rápido neste começo de ano, especialmente no setor de serviços, a queda na demanda está fazendo com que prestadores cortem alguns preços para reverter esse quadro. Faz 20 dias que o restaurante e choperia Bier & Bier, em São Paulo, por exemplo, dá desconto de 50% no preço da cerveja nacional e de outras bebidas importadas no horário da happy hour, entre 17 horas e 20 horas. “Fizemos isso porque o movimento caiu muito e queremos chamar o cliente para a casa”, conta o gerente, Adriano Lucena Gomes.

Ele diz que cobrar R$ 3,95 pelo chope compensa quando o cliente pede um petisco, que não tem o desconto. Além disso, a promoção atrai mais clientes para a choperia, o que pode ampliar o volume de vendas. “É melhor pingar do que secar”, diz, lembrando que há meses positivos e outros negativos e um compensa o outro.

Além de cortar o preço da bebida na happy hour, o restaurante trocou o atendimento a la carte pelo buffet por um valor fixo ou por quilo na hora do almoço. Com isso, conseguiu multiplicar por quatro o número de clientes. “Estamos conseguindo sobreviver”, diz Gomes. Ele lembra que a pressão de custo neste ano é muito forte. Só pelo consumo de água, pagou uma multa de R$ 1,2 mil. A água é um preço administrado que, de certa forma, acaba pesando na formação de outros preços de serviços prestados.

Aluguel. Outro segmento cujos preços são indexados, porém formalmente, e que enfrenta problemas de queda de demanda, é o de locação. Depois de ficar quase oito meses com cinco imóveis residenciais vazios para locação na zona leste de São Paulo, a comerciante Débora Ferreira Campanhã decidiu reduzir o valor pedido, entre 15% e 20%, dependendo do bairro. “Nunca tinha acontecido isso antes”, diz ela, lembrando que, em outras épocas, demorava entre um e dois meses para conseguir um novo inquilino.

Os apartamento vazios representam uma despesa extra para a locadora que, além de não receber a renda do aluguel, precisa arcar com o condomínio e o IPTU. Temendo perder inquilinos, Débora avisou a imobiliária que administra outros cinco imóveis para não reajustar os aluguéis que deveriam, por contrato, ser corrigidos pelo IGP-M (de 10,54% em 2015).

Roseli Hernandes, diretora da imobiliária Lello, conta que, em janeiro, 35 dos contratos de locação administrados pela imobiliária tiveram redução do valor do aluguel. Em janeiro do ano passado, 0,4% dos contratos tiveram corte no preço. 

Tudo o que sabemos sobre:
AluguelIGP-MInflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.