É o maior teste de força entre o FMI e um devedor, diz o Guardian

A possibilidade de a Argentina não efetuar hoje o pagamento de sua dívida de US$ 3,1 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é assunto de destaque na imprensa européia. Os jornais espanhóis são os que mais dedicam atenção à crise potencial entre o governo argentino e o Fundo. O diário financeiro La Gaceta de los Negocios alertou em editorial que seria um erro não pagar a dívida e tentar que o FMI cubra esse valor ?se a Argentina pretende recuperar sua credibilidade e confiança?. O jornal afirma que ?a propriedade privada e o respeito a ela, o livre mercado e a liberdade de contratos nele incluída, a seriedade e o cumprimento de compromissos são, entre outros, instrumentos institucionais que têm contribuído para a riqueza dos países?. Segundo La Gaceta, a Argentina não tem respeitado esses princípios nos últimos anos e isso gerou uma deterioração institucional, social, política e econômica no país. Segundo o jornal britânico The Guardian, trata-se do ?maior teste de força entre o Fundo e um país devedor nos 50 anos de história do organismo multilateral?. O diário afirma que há três saídas possíveis para o atual impasse: ?ou a Argentina capitula e oferece aos credores uma oferta mais vantajosa; ou o Fundo recua e continua com seu programa de financiamento apesar da intransigência de Buenos Aires; ou um acordo é fechado?. O jornal Financial Times afirma que caso a Argentina não efetue o pagamento, o default ?completaria o isolamento financeiro do país do mundo, o colocando num pequeno clube cujos membros incluem a Libéria, Sudão e Somália?. A segunda maior economia da América do Sul já deve cerca de US$ 100 bilhões a seus credores privados após ter suspendido os pagamentos em dezembro de 2001. Segundo o FT, caso o FMI cancele qualquer novo financiamento para a Argentina, outros organismos multilaterais deverão fazer o mesmo.

Agencia Estado,

09 Março 2004 | 10h31

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