E os investimentos?

O ministro Guido Mantega reconheceu segunda-feira que até agora o governo Dilma não conseguiu mobilizar os empresários a investir.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h07

Algum reconhecimento, em si mesmo, é um avanço neste governo que tem dificuldade em admitir seus equívocos ou, até mesmo, as mudanças na condução da política econômica. Por exemplo, segue negando as mudanças na política econômica. Não é capaz de assumir que a crise exigiu ajustes e que, portanto, pragmáticos ou não, estão sendo feitos. Contra as evidências, sustenta que o tripé vitorioso da economia brasileira (câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário) continua observado como dantes.

Mantega trata o desinteresse pelos investimentos por parte do empresário como se fosse anomalia desimportante, que logo será revertida. Para ele, o governo já tomou providências suficientes para levar o empresário a finalmente tirar do armário seu espírito animal - a que tantas vezes apelou a presidente Dilma. O governo, argumenta o ministro, já promoveu forte desvalorização do real (alta do dólar no câmbio interno) para que o setor produtivo recuperasse a competitividade; já derrubou os juros básicos em nada menos que 5,25 pontos porcentuais ao ano, concorrendo assim para a redução dos custos financeiros das empresas; e diminuiu custos de produção à medida que baixou impostos e promoveu alguma desoneração da folha de pagamentos para bom número de setores da economia. Essas iniciativas, aposta Mantega, levarão o empresário a desengavetar projetos de investimentos já em 2013.

O governo Dilma imagina que os obstáculos relevantes ao investimento privado fossem apenas o câmbio fora do lugar e os juros escorchantes, suficiente e definitivamente removidos. Mas a verdade é que o empresário reluta em colocar mais dinheiro nos seus negócios por outras razões até agora não atacadas.

Este é um governo excessivamente intervencionista. Tão intervencionista que prejudica até mesmo o setor público - como se vê na condução das políticas do petróleo e da energia elétrica. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, denuncia todos os dias que o governo está segurando tanto os preços dos combustíveis que inviabiliza seu enorme programa de investimentos. A Eletrobrás, a Cemig e a Cesp avisam que a política energética está atrapalhando a administração de usinas já amortizadas.

Vão também por aí as queixas de bancos, concessionárias de comunicações e grandes empresas de mineração. As novas concessões em rodovias, aeroportos e portos estão emperradas. O governo quer controlar tudo sem ao menos definir regras permanentes de jogo.

O governo Dilma acha que está sempre certo, que seus diagnósticos vão na direção correta e que faz o suficiente para mobilizar os capitais. Tem dificuldade para perceber que não consegue entregar o que promete e que se apega a apostas duvidosas e à pronta reversão de tantos resultados insatisfatórios - como esses avanços insignificantes do PIB, a inflação acima da meta e, mais que tudo, esses investimentos que não decolam.

Essas providências em quase nada contribuíram para a redução do custo Brasil e para a expansão da infraestrutura - esses, sim, os grandes entraves à expansão da atividade produtiva por aqui.

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