Bruno Namorato
Bruno Namorato

‘É preciso adaptar o discurso para o investidor pessoa física’, diz diretor do Itaú

Banco passou de 250 mil investidores pessoa física para 500 mi; para atender a esse público, Itaú agora possui um time dedicado a pessoas físicas e reformou todo o site de relações com investidores para facilitar a comunicação

Entrevista com

Renato Lulia, diretor do Itaú Unibanco

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 05h00

O cenário de juros baixos no Brasil está empurrando novos investidores para o mercado de renda variável e alterando a dinâmica nas empresas listadas, que agora precisam se adaptar para receber esse novo perfil de acionistas que começam a chegar em grande número em suas bases. 

No caso do Itaú Unibanco, esse processo resultou em dobrar o número de investidores pessoas físicas: apenas no ano passado, esse total passou de 250 mil para 500 mil, conta o diretor de relações com investidores e inteligência de mercado da instituição, Renato Lulia. Para atender a esse público, o maior banco privado da América Latina agora possui um time dedicado a pessoas físicas e reformou todo o site de relações com investidores para facilitar a comunicação. 

Qual tem sido a mudança no perfil da base de investidores do Itaú Unibanco?

Sempre tivemos uma participação grande de pessoas físicas de forma direta ou indireta, por meio de fundos, por exemplo. O que aconteceu ano passado foi algo impressionante. Nossa base de acionistas dobrou: passou de 250 mil para 500 mil. 

E a demanda desses investidores é diferente?

É muito diferente. E é preciso garantir que grandes fundos e pessoas físicas tenham acesso às mesmas informações, mas de fato isso não é um trabalho trivial. O nível de conhecimento varia muito. Então, a gente se voltou para a prancheta para pensar a forma como nos comunicamos. Foi um trabalho de um ano sobre melhores práticas. Lançamos um pilar que tem uma parte importante no ESG (iniciais em inglês para as áreas de ambiental, social e governança), que é a transparência na comunicação. No ESG, a acessibilidade da informação é uma iniciativa muito importante. Em uma área de RI tradicional, a rede social, por exemplo, não era muito utilizada, mas hoje é preciso se fazer algo diferente: mais podcasts, mais educação financeira e explicar termos financeiros.

Mas como a área pode facilitar o entendimento dos investidores?

A ideia foi de lançar um novo site e um novo relatório anual integrado, totalmente novo que não vai guardar similaridade com o antigo. Utilizaremos inteligência artificial para facilitar a busca. Outra ferramenta será um robô com a linguagem de sinais. Será um site mais fácil e simples de navegar. No caso do relatório integrado, iremos disponibilizar um documento interativo e navegável. Agora, temos times focado no atendimento de pessoa física e de pessoa jurídica. Temos de ser acessíveis e adaptar o discurso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.