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‘É preciso consolidar o empresário’, afirma especialista

Para professor em empreendedorismo, o tema de qualificação pessoal deve vir antes da ideia de abrir um negócio

Vivian Codogno e Ricardo Rosseto, Impresso

14 de maio de 2017 | 05h00

Uma das modificações observadas na pesquisa GEM de 2016 relaciona-se com a motivação apontada pelos empreendedores para a abertura de empresas. Segundo o levantamento, 57% dos empresários brasileiros afirmaram buscar o empreendedorismo impulsionados pela oportunidade. Na outra ponta, 43% são atraídos pela necessidade de renda.

O índice de empresas abertas por oportunidade, que havia crescido nos últimos anos e é um indicador de melhoria na qualidade dos negócios, recuou para os patamares registrados dez anos atrás.

Para o professor de empreendedorismo e inovação da Saint Paul Escola de Negócio, César Akira, o índice alerta para a necessidade de um esforço para consolidar aquelas pessoas que já se tornaram empresárias, e, sobretudo, investir em capacitação. “O tema da qualificação pessoal deve vir antes da ideia de abrir uma empresa. Muitos empreendedores iniciais têm dificuldades básicas de conhecimento, como de matemática”, diz.

Afirmando que um país competitivo precisa de empresas competitivas, o especialista destaca que a eficiência estimula toda a cadeia produtiva e torna o país mais atrativo para os investidores estrangeiros. Segundo Akira, é necessário melhorar o ambiente institucional e promover incentivos – como desburocratização, investimento em educação e em infraestrutura – para fazer os negócios dos pequenos e médios empresários decolarem. “Em geral, quem é dono de um negócio não quer dividir a gestão da sua empresa com outra pessoa. Mas estabelecer parcerias com profissionais que tenham conhecimentos complementares é fundamental para o sucesso da empreitada”, afirma.

Resiliência. Apesar do cenário difícil para o empreendedorismo no País, Akira aponta algumas vantagens em relação aos principais parceiros comerciais no mundo. Em primeiro lugar, afirma, o mercado em grande escala sempre é um atrativo para as empresas, que podem alavancar seus negócios ao atingir um público cada vez maior.

Além disso, diz, há outra característica particular que pode ser vista como favorável ao ambiente de negócios: a capacidade de resiliência e adaptação do brasileiro. “Mesmo com o mercado difícil, as pessoas conseguem encontrar algumas oportunidades para vencer as adversidades. Isso, aliado à qualificação, pode nos garantir maior vantagem competitiva no futuro.” / V.C. e R.R.

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