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É preciso coragem para entrar na Bolsa?

Minha posição é de que a decisão de investimento deve ser atrelada aos objetivos pessoais

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2020 | 05h00

Em uma troca de mensagens, um amigo me disse que precisa ter uma pequena valentia para começar a investir na Bolsa. Que mantém suas aplicações financeiras num grande banco, que está vendo a baixa rentabilidade, mas que precisava de um incentivo para arriscar mais. 

Embora entenda a situação, minha posição é de que a decisão de investimento deve ser atrelada aos objetivos pessoais. Mais: deve estar de acordo com os seus hábitos, estilo de vida, personalidade, crenças e sonhos. Investir é algo que exige sacrifícios e só faz sentido se for na busca de um maior grau de bem-estar e de acordo com nosso comportamento. A decisão de como compor uma carteira deve respeitar a importância e prazos de cada um de nossos objetivos. 

Objetivos mais importantes e com menor prazo indicam que devo correr menor grau de risco. Mas posso arriscar mais quando tenho prazos maiores e metas com menor importância. Exemplo é o caso de um jovem que tenha como objetivo a aposentadoria. Embora de longo prazo, é algo de grande importância e, portanto, deve-se buscar investimentos de risco médio. Em outros termos: uma carteira mais equilibrada. 

Mas, para não fugir da provocação, busquei conhecer quem é o investidor da Bolsa hoje. Publicado em abril, o relatório “Uma análise da evolução dos investidores pessoas físicas na B3” traz dados interessantes. Se fosse tirada uma foto desse investidor, ele seria um homem paulista jovem, entre 25 e 39 anos, investidor em ações, com saldo mediano de R$8 mil. Na sua primeira negociação, aplicou até R$500,00. Ele também diversifica, mesmo tendo uma carteira pequena. 

O referido relatório mostra que a Bolsa se tornou mais popular, com mais de 2 milhões de CPFs – alta de 164% ante 2018. Só no 1º trimestre de 2020, entraram no mercado mais de 400 mil investidores. A participação de carteiras de até R$10 mil saltou de 44%, em 2011, para atuais 54% do total. Ao todo, esse grupo representa hoje estoque de R$2,6 bilhões, sendo que 33% desse grupo mantém em sua carteira 5 ou mais ações. 

Em 2018, o volume de negociações mensais envolvia cerca de 200 mil CPFs. Em março de 2020, eram 1,3 milhão de pessoas físicas. O quadro é positivo e mostra maior interesse em renda variável. Por outro lado, o cenário atual diz que as pessoas estão investindo mais no geral e, assim, precisam se preocupar mais em estabelecer seus objetivos e melhorar seu planejamento financeiro. Lembre-se que criar e gerir uma carteira bem equilibrada entre risco e retorno exige maior conhecimento de investimentos.

É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP E DA PUC-SP

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