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'É preciso desafiar o atual conceito de sucesso', diz autor de 'Humanos de Negócios'

Jornalista reúne perfis de empresários e executivos que pensam no bem comum, e não só no preço das ações

Entrevista com

Rodrigo V. Cunha, jornalista

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2020 | 05h00

O jornalista Rodrigo V. Cunha propõe um desafio no livro Humanos de Negócios – Histórias de Homens e Mulheres que Estão (Re)humanizando o Capitalismo (Editora Voo): deixar para trás antigos conceitos de sucesso que sempre permearam a cultura capitalista e redefinir a imagem de um profissional a ser admirado. Por isso, ele reuniu na obra desde empresas tradicionais – como Natura e Porto Seguro – até empreendedores que fazem a diferença com ativismo, cultura e trabalhando diretamente em comunidades.

Como o seu livro se encaixa no avanço do conceito ESG (meio ambiente, sociedade e governança, na sigla em inglês) no mundo dos negócios?

Desde minha passagem pelo Banco Real, em 2003, comecei a aprender sobre sustentabilidade, inclusive fazendo comunicação voltada para essa área. Era uma coisa muito avançada para a época. Fui picado pelo tema e não teve como voltar atrás: só consigo enxergar os negócios de maneira consciente, pensando de forma criteriosa os impactos (de uma empresa) para as pessoas e o planeta. O ESG é uma nova roupagem, um nome que funciona melhor para as empresas negociarem sua governança.

Como surgiu a ideia do livro?

Foi um insight de chuveiro. Quando a gente pensa em homens de negócio, a imagem que vem na cabeça é de um homem de gravata, com um carrão e um casa enorme. Eles eram vistos como uma espécie de James Bond corporativo: tinham licença para matar desde que entregassem os resultados aos acionistas. Isso explica por que os executivos da Vale sabiam dos riscos (em Brumadinho) e não disseram nada. Esse modelo de desenvolvimento prejudica as próprias vidas (dessas pessoas). Já falei com um monte de executivos que disseram não ter visto os filhos crescerem. Se sucesso é chegar nesse lugar, eu pensei, olhando para o meu filho: é melhor eu seguir outro caminho.

Como os perfis foram selecionados?

Eu queria um mix muito bom, justamente para desafiar a definição clássica de sucesso do capitalismo. É por isso que eu entrevistei o Wellington Nogueira, do Doutores da Alegria, e o Edgard Gouvêa Júnior, que foi jogador de vôlei e se tornou um mobilizador social, reunindo pessoas que dão tempo, dinheiro ou usam conexões para ajudar os outros. Acredito que essas e as outras pessoas do livro são os líderes que a gente precisa para dar o próximo passo do capitalismo: o uso da inteligência coletiva para a evolução (de todos) e menos focado no valor de ação. 

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