Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

'É preciso estar atento aos ciclos do mercado', diz Betancourt

Ex-sócio de Sam Zell e agora acionista da Bresco com os fundadores da Natura, Betancourt investe em complexo empresarial

NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2015 | 02h06

Veterano do mercado imobiliário brasileiro, Carlos Betancourt não demonstra muita preocupação com a tempestade que se abateu nos últimos três anos sobre esse setor. Ele, na verdade, usa isso a seu favor. "Parte da geração de empresários e investidores que está hoje à frente do mercado nunca viu um período de baixa."

Foi sua trajetória no setor imobiliário que fez com que ele conquistasse a confiança de gente de peso como o megainvestidor americano Sam Zell, há quase uma década e, mais recentemente, dos fundadores da Natura, Guilherme Leal, Pedro Passos e Antônio Luiz Seabra.

Juntos, eles criaram em 2011 uma empresa de terceirização imobiliária, a Bresco, que incorpora, desenvolve projetos, compra imóveis e depois aluga. A companhia tem um capital próprio de R$ 1 bilhão - desse total, R$ 400 milhões já foram investidos. O maior projeto é um parque corporativo ao lado do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, numa área de 1 milhão de metros quadrados. Lá já estão funcionando o centro de treinamento da Azul Linhas Aéreas e o centro de distribuição da John Deere.

Agora, no primeiro semestre, a Bresco começa a construir no complexo um hotel três estrelas, com 200 quartos, da bandeira Ramada - marca do grupo Wyndham que é representada no Brasil pela mineira Vert. "Será o primeiro hotel Ramada na região, que tem um potencial enorme por causa da proximidade com o aeroporto", diz a presidente da Vert Hotéis, Érica Drumond. O empreendimento deve ser entregue até o fim de 2018.

A meta da Bresco é atingir um portfólio de R$ 4 bilhões em cinco anos. "Não temos pressa, nem prazos para fazer os investimentos", diz Betancourt - estratégia que é bem diferente da adotada na sociedade com o Sam Zell, de quem o empresário foi sócio na antiga Bracor. "Aquela era uma operação com início, meio e fim, porque precisava dar retorno rápido aos acionistas, em grande parte estrangeiros", diz. Já a Bresco, segundo ele, tem uma visão de "longuíssimo prazo". A empresa é o principal veículo de investimento dos sócios da Natura no ramo imobiliário, por meio do fundo Pragma. Eles são majoritários, mas é Betancourt que está à frente da operação.

Trajetória. Filho do cubano Gaspar Betancourt, que veio para o Brasil em 1959, Carlos começou cedo no setor, na empresa da família. Seu pai, falecido no fim do ano passado, foi o fundador da Concretex, uma empresa de serviços de concretagem vendida para a Holcim na década de 80.

Ao deixar o negócio da família, ele abriu uma consultoria e depois foi responsável por trazer a multinacional canadense Colliers para o País. Antes de se associar a Sam Zell e ganhar notoriedade, o empresário foi um dos fundadores da gestora de investimentos Pátria.

Com conhecimento de causa, ele diz que o Brasil não vive uma bolha imobiliária, mas um período de acomodação dos preços. "Assim como Sam Zell, gosto de estar atento aos ciclos do mercado e tentar compreender os melhores momentos para entrar e sair de um negócio."

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