É preciso gastar com inovação para ganhar no setor farmacêutico

O governo brasileiro vai destinar até 2012 US$ 800 milhões de dólares para investimentos dos laboratórios farmacêuticos brasileiros em inovação. Iniciado em 2008, o desembolso faz parte do Profarma 2, programa patrocinado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), com recursos fornecidos pelo BNDES. O investimento em inovação é um dos pilares da estratégia de criação da Superfarma, sigla que abrigaria uma indústria farmacêutica de capital poderosa, capaz de competir em pé de igualdade com as potências mundiais do setor. Caberia à Superfarma aumentar as exportações de medicamentos, reduzindo o crônico déficit na balança comercial, em torno de US$ 4 bilhões anuais. Atualmente, para importações de mais de US$ 5 bilhões, o País vende lá fora ao redor de US$ 1,2 bilhão.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

Boas intenções à parte, há quem veja com ceticismo essa proposta. "É utópico pensar em grande volume de exportação se não tivermos também um grande mercado interno e muito desenvolvimento de produto", afirma Nelson Mussolini, vice-presidente do Sindicato da Indústria Farmacêutica do Estado de São Paulo (Sindusfarma).

Mussolini questiona a eficácia dos recursos alocados pelo governo para a inovação, base da criação de remédios. Segundo ele, o Brasil tem um caminho longo a percorrer até a constituição de um mercado interno robusto. Atualmente, a venda de produtos farmacêuticos é da ordem dos US$ 18 bilhões por ano. Isso é bem menos da metade das receitas de um laboratório como a suíça Novartis, que fatura US$ 44 bilhões, e inferior a um terço do da Pfizer, que vende US$ 50 bilhões. "A Pfizer investe 15% de suas receitas em pesquisa e desenvolvimento, o que dá US$ 7,5 bilhões por ano", diz Mussolini. "Isso é quase a metade do tamanho do mercado brasileiro. Ou seja, para o executivo do Sindusfarma, os recursos para inovação gerados pelo Profarma 2, são pouco mais do que uma gota de água no oceano. "A criação de uma molécula exige mais de US$ 1 bilhão", diz Mussolini. "E de cada 10 mil moléculas pesquisadas apenas uma vai para o mercado."

Para ele, a maneira de o governo brasileiro fazer avançar o seu projeto de fortalecimento da indústria farmacêutica nacional passa pela criação de um fundo de desenvolvimento de longo prazo, com retorno a perder de vista. "Não se pode pensar de forma imediatista e exigir o reembolso dos recursos emprestados, como acontece hoje, no curto prazo", afirma Mussolini. "Entre descobrir a molécula e lançar um produto no mercado, se a empresa for muito competente, levará de oito a 10 anos. Por isso, para ganhar, é preciso por dinheiro."

A despeito das limitações atuais, Mussolini aposta no futuro do setor. O surgimento de uma nova leva de consumidores de classe média e a ascensão dos genéricos têm como pano de fundo a existência de transparência no mercado, o que atrai a atenção dos grandes competidores internacionais. "Tudo o que o capitalista quer são regras claras, concorrência igual para todo mundo e gente comprando", diz Mussolini. "O Brasil tem tudo isso, o que o transforma num novo polo de crescimento para as multinacionais farmacêuticos."

BOLSO CHEIO

US$ 1,84 bi de remuneração fez de Larry Ellison, fundador e CEO da Oracle, o executivo mais bem pago dos EUA na última década, segundo o "Wall Street Journal"

MERCADO DE LUXO

H. Stern amplia sua rede no exterior

A H.Stern, maior rede de joalherias do País, vai abrir em setembro uma loja em Stuttgart, a terceira localizada na Alemanha. Trata-se de uma store in store, instalada na loja de departamentos Breuninger. Até o fim do ano, a rede deve começar a operar outra unidade em Cancún, a sétima da H.Stern no México. No mercado interno está prevista a abertura de filiais em shopping centers de Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS) e Salvador (BA). Com isso, a rede brasileira deverá fechar 2010 com 155 lojas próprias, das quais 67 espalhadas por 15 países.

CRÉDITO

Refinanciamento da Grana Aqui atrai endividados

A Grana Aqui, de São Paulo, franquia de serviços financeiros e de crédito, está ganhando dinheiro com a operação de refinanciamento imobiliário - uma das modalidades mais usadas pelos americanos antes da crise financeira. Mediante a linha de crédito aberta há dois meses, a Grana Aqui, parceira do braço imobiliário da Brazilian Mortagages, o BM Sua Casa, concedeu cerca de R$ 25 milhões a 300 credores nas operações já realizadas. "Meu público é quem está afogado e não consegue mais crédito em outro lugar", afirma Alberto Gaidys, um dos fundadores da Grana Aqui. "Cerca de 20% do dinheiro foi para pequenos empresários." Segundo Gaidys, com passagens por empresas como Deutsche Bank e UBS, a vantagem para o credor é a redução de dívidas mais caras. O refinanciamento permite a retirada de empréstimos de até metade do valor de mercado do imóvel, que deve ser quitado. As taxas cobradas são de 1% ao mês mais correção monetária pelo IGPM para pagamento em até 30 anos .

TECNOLOGIA

Gartner promove simpósio de ponta em São Paulo

A consultoria americana de Tecnologia da Informação Gartner, vai realizar pela primeira vez no País o Gartner Symposium ITxpo Brasil 2010. Principal evento da empresa, o Gartner Symposium tem apenas quatro edições no mundo: Orlando (EUA), Sidney (Austrália), Tóquio (Japão) e Cannes (França). O encontro, que acontece entre 14 e 16 de setembro, no Sheraton São Paulo, discutirá as tendências do mercado de TI.

TORREFAÇÃO

A Baggio Coffee vira Baggio Café

Até 2006, a Baggio Coffee, da família Baggio, de Araras, no interior paulista, concentrava-se na exportação. Por conta da valorização do real, suas receitas diminuíram a tal ponto que a família precisou reinventar-se: deixou de apenas vender o grão "verde" ao exterior, uma commodity, e passou a torrá-lo, vendendo-o no Brasil com um selo que valoriza suas características gourmet. "Com isso, o mercado nacional passou a ter tanta importância para nós que trocamos o nome da Baggio Coffee para Baggio Café", afirma Liana Baggio Ometto, diretora do grupo. Segundo Liana, a Baggio Café beneficia cerca de 6 mil quilos de café por mês e já responde por cerca de 25% de sua receita de R$ 6 milhões.

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